Biden recebe corpos de militares mortos no Afeganistão enquanto críticas sobem de tom

Um a um, cobertos com uma bandeira norte-americana, os caixões foram descarregados em frente ao Presidente democrata, Joe Biden, que os recebeu de mão no coração.

O presidente dos Estados Unidos recebeu este domingo, os restos mortais dos 13 soldados norte-americanos mortos num ataque em Cabul, num momento em que críticas à sua gestão da crise afegã sobem e a sua popularidade cai.

Um a um, cobertos com uma bandeira norte-americana, os caixões foram descarregados em frente ao Presidente democrata, Joe Biden, que os recebeu de mão no coração, e da sua mulher Jill, na base aérea de Dover, Delaware.

Vestidos de preto, o casal presidencial tinha a seu lado o chefe do Pentágono, Lloyd Austin, o Secretário de Estado, Antony Blinken, o Chefe de Estado-Maior norte-americano, Mark Milley, e de outros oficiais superiores das Forças Armadas norte-americanas.

As famílias das vítimas estavam à distância, protegidas das câmaras. Os soluços quebravam ocasionalmente o silêncio.

Pouco antes da cerimónia, a delegação subiu a rampa para a enorme aeronave militar C-17, que transportava os 13 caixões, para uma breve oração privada, de acordo com a Casa Branca.

Dos 13 jovens soldados mortos no ataque de quinta-feira, cinco tinham 20 anos e participavam na guerra mais longa dos Estados Unidos, lançada em 2001 no Afeganistão.

Reivindicado pelo Estado Islâmico no grupo de Khorasan (EI-K), o ataque de quinta-feira em Cabul matou, pelo menos, 170 pessoas.

Joe Biden, que tomou posse em janeiro último como Presidente dos Estados Unidos, viu a sua popularidade, até há poucos dias relativamente estável, cair abaixo dos 50% após os taliban terem tomado Cabul, em 15 de agosto.

Além disso, a sua imagem foi afetada pela pandemia de covid-19, devido à variante Delta, enquanto as críticas dos senadores e especialistas sobre a retirada de tropas do Afeganistão sobe de tom.

Como retaliação ao ataque que matou aqueles soldados, os Estados Unidos realizaram um ataque com drone no Afeganistão, matando dois membros do grupo do Estado islâmico.

Hoje, quanto o casal presidencial norte-americano estava reunido com as famílias dos militares, o Pentágono anunciou que tinha destruído um veículo em Cabul, "eliminando uma ameaça iminente do EI-K" contra o aeroporto da capital afegã.

Os republicanos estão a criticar duramente Joe Biden pela forma como está a gerir a saída das forças norte-americanas do Afeganistão.

"É uma das piores decisões de política externa da história norte-americana", afirmou hoje o influente líder dos senadores republicanos Mitch McConnell, acrescentando que já era contra a retirada negociada de Donald Trump, em 2020, com os taliban.

Durante décadas, a Base da Força Aérea de Dover, a cerca de duas horas de Washington, foi sinónimo, na mente norte-americana, do regresso desolador dos caídos em combate.

A somar a tudo isto, Ben Sasse, um senador republicano, parecia hoje ter dificuldade em conter a sua raiva contra o presidente democrata numa entrevista ao ABC.

"Joe Biden pôs as nossas tropas em perigo, porque não tinha um plano de retirada" do Afeganistão, acusou.

Os Estados Unidos abrandaram hoje o ritmo de retirada de pessoas do Afeganistão, com 2.900 pessoas retiradas do aeroporto da capital, Cabul, menos de metade do número de sábado e menos de um quarto do que se verificou na sexta-feira.

Os voos continuam a suceder-se apesar de os norte-americanos estarem em alerta máximo para a possibilidade de se repetirem atentados como o que o grupo terrorista Estado Islâmico levou a cabo na quinta-feira num acesso ao aeroporto, em que morreram pelo menos 170 pessoas.

No dia 15, os taliban entraram em Cabul sem resistência, depois de terem controlado praticamente todas as províncias do país, levando o presidente afegão, Ashraf Ghani, a fugir do país.

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