Bolsonaro diz que ONG comandam crimes ambientais no Brasil e no exterior

Presidente brasileiro discursou esta quarta-feira na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse esta quarta-feira, na cimeira sobre biodiversidade das Nações Unidas, que algumas organizações não-governamentais (ONG) comandam "crimes ambientais" no Brasil e no exterior.

"Na Amazónia, lançámos a Operação Verde Brasil 2, que logrou reverter, até agora, a tendência de aumento da área desflorestada observada nos anos anteriores. Vamos dar continuidade a essa operação para intensificar ainda mais o combate a esses problemas que favorecem as organizações que, associadas a algumas ONG, comandam os crimes ambientais no Brasil e no exterior", disse Bolsonaro, sem identificar as organizações a que se referia.

Esta não é a primeira vez que Jair Bolsonaro acusa ONG de crimes ambientais. Em agosto do ano passado, o Presidente afirmou que organizações não-governamentais podiam estar por detrás das queimadas na Amazónia, para "chamarem a atenção" contra o seu Governo.

O chefe de Estado brasileiro gravou em vídeo o seu discurso para a cimeira sobre biodiversidade na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que se realiza de forma virtual devido à pandemia do novo coronavírus.

Ao longo do vídeo de cerca de seis minutos, Jair Bolsonaro voltou a defender a soberania do Brasil sobre a parte da Amazónia que está em território brasileiro e opôs-se a qualquer "cobiça internacional" sobre a área.

"Rechaço (rebato), de forma veemente, a cobiça internacional sobre a nossa Amazónia. E vamos defendê-la de ações e narrativas que agridam interesses nacionais", afirmou o Presidente do Brasil.

"Não podemos aceitar, portanto, que informações falsas e irresponsáveis sirvam de pretexto para a imposição de regras internacionais injustas, que desconsiderem as importantes conquistas ambientais que alcançámos em benefício do Brasil e do mundo", acrescentou.

Bolsonaro destacou ainda que a exploração racional e sustentável dos recursos presentes no território brasileiro, "em prol da sociedade", é uma prioridade do seu executivo.

Na visão do chefe de Estado, é necessário combinar sustentabilidade com desenvolvimento e preservação ambiental com inovação económica.

"Temos a obrigação de preservar os nossos biomas e, ao mesmo tempo, precisamos de enfrentar adversidades sociais complexas, como o desemprego e a pobreza, além de procurar garantir a segurança alimentar do nosso povo", disse.

Jair Bolsonaro deixou de fora do seu discurso os graves incêndios que lavram este ano no Pantanal e na Amazónia, assim como os alarmantes níveis de desflorestação alcançados nas florestas do país.

O Presidente elogiou ainda o agronegócio brasileiro e disse que os impactos provocados por este setor no meio ambiente são irrisórios.

"Nas últimas décadas, o setor agropecuário brasileiro obteve aumentos expressivos de produtividade e comprovou a sua capacidade de ampliar a sua produção e alimentar o mundo, ao mesmo tempo em que reduz o seu já irrisório impacto sobre o meio ambiente", afirmou Bolsonaro.

"Recordo que a Convenção sobre Diversidade Biológica consagra o direito soberano dos Estados de explorar os seus recursos naturais, em conformidade com suas políticas ambientais, e é exatamente isso o que pretendemos fazer com a enorme riqueza que existe no território brasileiro", acrescentou.

No seu discurso, Bolsonaro apelou a todos os países para que cumpram com as suas responsabilidades, "arquem com a parte que lhes cabe e se unam contra males como a biopirataria, a sabotagem ambiental e o bioterrorismo".

Bolsonaro adiantou que o Marco Global da Biodiversidade Pós-2020 deve levar em consideração o impacto da crise gerada pela pandemia da Covid-19 sobre a economia mundial, "especialmente no que se refere aos países em desenvolvimento".

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