Mais de 50 membros do governo de saída. Boris Johnson vai apresentar demissão esta tarde

O primeiro-ministro britânico vai fazer uma comunicação ao país, na qual deverá anunciar a demissão. Boris Johnson já terá informado a Rainha Isabel II da sua decisão.

Encurralado pelos seus ministros, Boris Johnson vai apresentar esta quinta-feira a demissão da liderança do partido Conservador e do cargo de primeiro-ministro, uma informação avançada pela imprensa britânica e confirmada pelo correspondente da TSF no Reino Unido. De acordo com a BBC, Boris deverá permanecer no cargo de primeiro-ministro até ao outono, altura em que se realiza o congresso do partido.

A decisão do primeiro-ministro britânico, que vai fazer uma declaração ao país nas próximas horas, acontece depois de 48 horas de intensa pressão, marcadas pela demissão de mais de 50 membros do governo que o deixaram isolado.

Segundo adianta a Reuters, o líder do governo terá já informado a Rainha Isabel II da sua decisão.

Na quarta-feira, Boris Johnson recusou os apelos de alguns dos seus ministros para sair do cargo e acabou mesmo por demitir o secretário para a Habitação, Michael Gove.

Já esta quinta-feira, o dia arrancou com novas demissões, entre as quais a do ministro para a Irlanda do Norte. Brandon Lewis disse lamentar "profundamente" deixar o executivo, frisando que "de um governo se espera honestidade, integridade e respeito mútuo".

Decisão igual tomou a ministra da Educação, nomeada há dois dias para o cargo. Michelle Donelan apelou a Boris Johnson para que renunciasse "pelo bem do país" e do "partido", sublinhando que "ambos são mais importantes do que qualquer pessoa". Na carta de demissão, a governante afirmou ainda que o líder do governo colocou os seus ministros "numa situação impossível".

Minutos antes, o novo ministro das Finanças, Nadhim Zahawi, também nomeado há dois dias, pediu publicamente ao primeiro-ministro para que saísse do cargo. "Primeiro-ministro, no fundo sabe que é a melhor coisa a fazer: demita-se agora", disse Zahawi, numa carta divulgada no Twitter. Pouco depois, a imprensa britânica avançava que Boris Johnson iria ceder à pressão, aceitando demitir-se ainda esta quinta-feira.

A onda de demissões no governo britânico começou com a saída de dois pesos pesados, os ministros da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, na terça-feira, na sequência de mais um escândalo, depois de Downing Street ter reconhecido que o primeiro-ministro tinha sido informado já em 2019 de antigas acusações contra Chris Pincher mas que teria esquecido o assunto.

Na quarta-feira, também o ministro da Família e das Crianças, Will Quince, a vice-secretária de Estado para os Transportes, Laura Trott, e o secretário de Estado das Escolas, Robin Walker, apresentaram as suas demissões. Ao final do dia, mais de 40 elementos do governo tinham dado esse passo, o que encorajou outros a tomar a mesma decisão já esta quinta-feira. Perante a saída de mais de 50 membros do executivo, Boris Johnson acaba por ceder à pressão e aceitar deixar a liderança do executivo, marcada por sucessivos escândalos.

Quem já reagiu à eventual demissão de Boris foi o líder da oposição do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, que considerou ser "uma boa notícia para o país" que só peca por tardia. "Já deveria ter ocorrido há muito tempo", disse em comunicado. Starmer defende que o Reino Unido "não necessita de mudar de 'tory' (membro do Partido Conservador, cujo líder chefia o executivo)", mas sim "de uma mudança completa de governo".

Para a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon ​​, com a saída do primeiro-ministro do cargo haverá "uma sensação generalizada de alívio com o caos dos últimas dias e meses a chegar ao fim".

Partido Conservador não hesita em triturar líderes"

Ana Isabel Xavier, professora de relações internacionais na Universidade Autónoma, afirma à TSF que a saída de Boris Johnson era inevitável. "Do ponto de vista do partido Conservador, houve uma pressão muito grande para que o desfecho fosse este. Era uma questão de horas", diz. No limite, acrescenta ainda, podia ser uma questão de de dias se o regimento fosse alterado de modo a que fosse apresentada uma moção de censura ao primeiro-ministro.

A investigadora assinala que a demissão de Boris é o culminar de várias tensões, em que o caso 'party gate' (festas durante a pandemia) é o "símbolo máximo" do descontentamento generalizado.

Com o avolumar de demissões no governo, o partido Conservador ficou sem "margem" para substituir os governantes de uma forma "rápida e célere e com o mesmo grau de confiança e lealdade", comenta Ana Isabel Xavier, considerando ainda que o partido Conservador tem a ambição de se manter maioritário na Câmara dos Comuns e nas eleições locais. E, nesse sentido, "não hesita em triturar os líderes se para isso for necessário".

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