Boris Johnson enfrenta moção de censura

Até agora estavam identificados cerca de 30 parlamentares descontentes com o primeiro-ministro britânico e alguns pedem mesmo a demissão na sequência das festas em Downing Street durante a pandemia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vai ser sujeito estar tarde a uma moção de censura no Partido Conservador, após dezenas de deputados terem manifestado descontentamento, foi anunciado esta segunda-feira.

O presidente do grupo parlamentar Conservador, Graham Brady, também conhecido por Comité 1922, declarou junto ao Parlamento ter sido ultrapassado o limite mínimo de 15% dos deputados, ou 45 dos 359 deputados, para desencadear o processo.

"O voto terá lugar esta tarde, na Câmara dos Comuns, entre as 18h00 e 20h00 horas (mesma hora em Lisboa), e anunciaremos o resultado pouco depois", referiu, revelando ter informado o chefe do Governo no domingo do processo, o qual foi acordado entre ambos.

O anúncio confirma os rumores na imprensa britânica de que mais deputados tinham submetido nos últimos dias "cartas de desconfiança", processo que é secreto e anónimo, apesar de alguns terem manifestado publicamente a posição.

Até agora estavam identificados cerca de 30 parlamentares descontentes com Boris Johnson, alguns dos quais instaram o primeiro-ministro a demitir-se na sequência das revelações sobre as festas em Downing Street realizadas durante a pandemia Covid-19.

Esta segunda-feira, o antigo secretário de Estado das Finanças Jesse Norman juntou-se ao grupo de críticos, enumerando numa carta uma série de razões, incluindo o escândalo Partygate e a intenção de legislar para suspender partes do Protocolo da Irlanda do Norte do Acordo do Brexit.

"Prolongar esta charada de permanecer em funções não só insulta o eleitorado (...) mas torna uma mudança de governo na próxima mais provável", disse Jesse Norman.>

A contestação interna no Partido junta-se à crescente impopularidade dos tories e do respetivo líder.

Uma sondagem publicada no domingo no jornal Sunday Times deu ao Partido Trabalhista, da oposição, uma vantagem de 20 pontos percentuais nas intenções de voto na circunscrição de Wakefield, que vai a votos a 23 de junho devido à demissão do deputado Conservador Imran Khan.

Os apupos dirigidos a Boris Johnson na sexta-feira, à entrada da Catedral de São Paulo, em Londres para uma cerimónia de celebração dos 70 anos de reinado de Isabel II, acentuaram a viragem da opinião pública.

Numa sondagem interna, o site ConservativeHome vinca que a maioria dos militares (57%) ainda é contra a demissão, mas refere que o número daqueles que querem uma nova liderança aumentou para 40%.

O antigo ministro do Brexit e atual chefe de gabinete de Boris Johnson, Steve Barclay, escreveu esta segunda-feira no site que o partido está a "perder tempo agora com a constante divisão interna" e arrisca desperdiçar a benesse de uma maioria absoluta.

O grupo parlamentar Conservador, vincou, tem de escolher entre "concentrar-se em realizar as políticas necessárias para enfrentar os desafios enfrentados" pelo país ou "perder tempo e energia olhando para trás e para dentro, falando sobre nós mesmos".

O processo da moção de censura é secreto e o resultado é determinado por maioria simples, ou pela orientação de cerca de 180 votos entre os 359 deputados Conservadores.

Se Boris Johnson ganhar mais de metade dos votos, permanecerá como líder do partido e terá um ano de imunidade contra novas moções de censura, mas uma derrota abrirá uma eleição interna para encontrar um sucessor na qual o atual primeiro-ministro não poderá concorrer à reeleição.

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