Borrell reúne-se com Presidente moçambicano e entrega equipamentos a tropas

O reforço de equipamento para as tropas que a UE está a formar inclui material não bélico, como fardamentos e material de apoio à logística militar no terreno.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, começa esta quinta-feira uma visita de dois dias a Moçambique, em que vai reunir-se com o Presidente, Filipe Nyusi, e entregar equipamento não bélico para apoiar o combate em Cabo Delgado.

O alto representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança da União Europeia (UE) deverá reunir-se hoje com o chefe de Estado moçambicano e com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo.

Na sexta-feira, Borrell vai visitar a Missão de Formação Militar da União Europeia (EUTM Moçambique), no campo de treino da Katembe, margem sul de Maputo, "onde vai testemunhar a cerimónia de entrega de equipamento financiado pelo Mecanismo de Paz Europeia".

O reforço de equipamento para as tropas que a UE está a formar tem sido um pedido feito pelo chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e inclui material não bélico, como fardamentos e material de apoio à logística militar no terreno.

Na ocasião, Borrell vai ainda participar na cerimónia de mudança de comando da EUTM Moçambique: o brigadeiro general Lemos Pires cede lugar a outro português, o comodoro Martins de Brito.

Carlos Almeida, que desde 2010 é coordenador da ONG Helpo, em Moçambique, entende que a visita de Josep Borrell a Moçambique é muito importante, porque mostra a preocupação e o apoio da Europa.

"Não só o investimento na segurança, mas também nas questões da emergência e, sobretudo, naquelas que nos tocam mais, que são as questões do desenvolvimento. Sabemos que a União Europeia está muito preocupada em estancar este problema militar, mas ao mesmo tempo está preocupada em criar raízes e fundações para que, depois de esta questão da segurança for ultrapassada, possa apoiar as pessoas no imediato, através de intervenções de emergência e na parte do desenvolvimento, permitindo que áreas tão importantes como a educação tenham uma intervenção", defende, em declarações à TSF.

Carlos Almeida acredita que os ataques dos últimos dias não têm origem religiosa, mas sublinha que renovaram o sentimento de insegurança na população.

"Em toda a província de Cabo Delgado, a apreensão é muito grande e sempre que há notícias de um novo ataque as pessoas voltam a ter sentimentos que, de certa forma, já estavam um bocadinho mascarados ou até ultrapassados e voltam a ter esse sentimento de insegurança. O facto de estes ataques terem passado para a província de Nampula, creio que não causa grande pânico ao nível da província, porque esta é uma zona muito perto da fronteira com Cabo Delgado e, por isso, enquadra-se muito nos ataques que foram feitos anteriormente. Este ataque não tem nada de religioso. Segundo as indicações que temos, os insurgentes andam desesperados na busca de comida e na busca de algo a que se possam agarrar para continuar a manter as suas missões de malfeitoria", explica.

A missão apoia o treino de unidades de reação rápida das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e conta com 119 membros de 12 países.

Portugal assume o comando da missão e é o país com o maior contingente, atualmente de 68 militares dos três ramos das forças armadas e GNR.

No evento participa também o secretário de Estado da Defesa português, Marco Capitão Ferreira.

Além de Cabo Delgado, Borrel tem uma agenda com outros temas, como as implicações da guerra na Ucrânia, nomeadamente o impacto sobre a segurança alimentar e a situação geopolítica global.

No sábado, Borrell seguirá viagem de Moçambique para o Quénia.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por violência armada, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano por forças do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas levando a uma nova onda de ataques noutras áreas, mais perto de Pemba, capital provincial, e na província de Nampula.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

* Notícia atualizada às 11h08

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