Brasil rejeita tese de golpe na Bolívia e diz que Morales foi beneficiado

Pasta responsável pela diplomacia brasileira disse ainda que a "renúncia de Evo Morales abriu caminho para a preservação da ordem democrática".

O Governo brasileiro rejeitou esta terça-feira a tese de que está a decorrer "um golpe" na Bolívia, acrescentando que a ordem democrática naquele país estaria "ameaçada pela permanência no poder de um Presidente beneficiado por fraude eleitoral".

"O Governo brasileiro rejeita inteiramente a tese de que estaria a haver um golpe na Bolívia. A repulsa popular após a tentativa de estelionato [burla] eleitoral (constatada pela OEA), o qual favoreceria Evo Morales, levou à sua deslegitimação como Presidente, e consequente clamor de amplos setores da sociedade boliviana pela sua renúncia", escreveu o Ministério das Relações Exteriores do Brasil no seu site.

A pasta responsável pela diplomacia brasileira disse ainda que a "renúncia de Evo Morales abriu caminho para a preservação da ordem democrática, a qual se veria ameaçada pela permanência no poder de um Presidente beneficiado por fraude eleitoral".

A Bolívia está a atravessar uma grave crise desde a proclamação de Evo Morales como Presidente para um quarto mandato consecutivo nas eleições de 20 de outubro, marcadas por suspeitas de fraude eleitoral, denunciada pela oposição e movimentos da sociedade civil.

Os confrontos entre apoiantes e opositores do Presidente da Bolívia desde o dia seguinte às eleições causaram pelo menos três mortos e 384 feridos. Na última madrugada, Evo Morales, que renunciou após perder o apoio das forças armadas e da polícia, disse que foi emitido contra si "um mandado de detenção ilegal" e que grupos violentos invadiram a sua casa.

O Governo brasileiro, liderado por Jair Bolsonaro, divulgou o comunicado pouco tempo depois de Morales ter aterrado no México, país que lhe concedeu asilo político.

"O processo constitucional está a ser preservado na sua integralidade na Bolívia. (...) O Governo brasileiro está pronto a colaborar com as autoridades interinas da Bolívia de modo a contribuir para uma transição pacífica, democrática e constitucional", concluiu o Itamaraty, nome como é conhecido o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Morales, que foi eleito pela primeira vez em 2006, e que procurava agora o seu quarto mandato consecutivo, foi uma das poucas figuras da esquerda sul-americana que compareceu à posse de Bolsonaro, em janeiro deste ano.

Deputados da oposição brasileira exigiram hoje que o Itamaraty explique se teve algum papel nos acontecimentos que levaram à queda de Evo Morales da Presidência, no último fim de semana. Num requerimento apresentado esta terça-feira, deputados do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Câmara baixa parlamentar querem que o chefe da diplomacia brasileira, o ministro Ernesto Araújo, esclareça se manteve algum tipo de contacto com a oposição da Bolívia e pede que todos os telegramas internos do Itamaraty, que envolvam a análise da situação no país vizinho no corrente ano, sejam entregues.

"Solicitam-se cópias de todos os telegramas diplomáticos sobre as eleições na Bolívia e demais comunicações com referência à conjuntura política do país em 2019", pediu o PSOL, segundo uma publicação do próprio partido no seu site.

"Nos últimos dias vieram à tona áudios de articuladores do golpe de extrema-direita na Bolívia, revelados pelo jornal El Periódico, que tratam da interferência direta das igrejas evangélicas e de 'um homem de confiança de Bolsonaro' e seu Governo no processo de articulação do golpe", declarou ainda a formação política de esquerda.

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