Brexit é uma "perda de tempo e de energia"

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker lamentou hoje o tempo que dedicou ao brexit durante "demasiado" tempo ao longo do seu mandato. "Na verdade, foi doloroso", considerou.

Juncker falava na última sessão plenária de Estrasburgo em que participa como líder do executivo comunitário, Juncker afirmou que pensou quanto a União Europeia "pode fazer melhor" pelos europeus, mas o Brexit foi perda de tempo.

"Na verdade, foi doloroso ter dedicado demasiado deste mandato a lidar com o Brexit, quando eu pensei em nada menos do que esta União pode fazer melhor pelos seus cidadãos. Foi uma perda de tempo e de energia", afirmou.

Na mesmas sessão, o preside ter do Conselho Europeu anunciou que já deu início às consultas dos governos europeus, para que sejam decididos os próximos passos em relação ao Brexit.

"A situação é muito complexa, depois dos acontecimentos durante o fim de semana, no Reino Unido, e o pedido de extensão do procedimento do artigo 50", afirmou Donald Tusk, adiantando que já está "a consultar os lideres sobre a forma de reagir", e promete apresentar uma decisão "nos próximos dias".

"É obvio que o resultado destas consultas dependerá muito do que o parlamento britânico decidir, ou não decidir", disse o presidente do Conselho Europeu, confirmando, como a TSF escreveu no sábado, que não era esperado que a autorização para a extensão do artigo cinquenta fosse imediata. Porém, a União Europeia "não deverá criar entraves". Espera-se que o mais tardar até ao próximo fim de semana haja uma decisão em Bruxelas.

O presidente do conselho europeu avisou que tudo está em aberto, numa situação complexa e que se agravou, desde o fim de semana. Tusk avisa que toda a União Europeia deve estar preparada para o que quer que venha a acontecer.

"Devemos estar preparados para todos os cenários. Mas uma coisa deve estar clara, como já disse ao primeiro-ministro britânico, o Brexit sem acordo não será por nossa decisão", vincou Donald Tusk.

Estrasburgo fica com a última palavra

Ambos os presidentes saudaram a decisão do Parlamento Europeu de guardar para si a última palavra sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia.

"Não é possível imaginar que este Parlamento [Europeu] ratifique o acordo antes que Westminster o ratifique primeiro em Londres", afirmou Juncker, considerando que agora é preciso "acompanhar ao que acontecer em Westminster de muito perto".

"Fizemos tudo ao nosso alcance para preparar a União Europeia para todas as eventualidades, independentemente do que está a acontecer do outro lado do canal", afirmou.

Antes do arranque da sessão plenária de Estrasburgo, o grupo coordenador do Brexit esteve reunido com os presidentes dos grupos políticos, e decidiu que vai esperar pelo voto da câmara dos comuns, para tomar uma decisão. Essa votação pode realizar-se numa sessão extraordinária na próxima semana.

Ouvido pela TSF, o vice-presidente do parlamento, membro do grupo coordenador do Brexit, Pedro Silva Pereira admite que a extensão de três meses, pedida por Londres não seja suficiente.

"Se na Câmara dos Comuns for deliberado que vai ser realizado um referendo, é possível que esse prazo não seja suficiente", admitiu Pedro Silva Pereira, considerando que "se for deliberado fazer eleições, é preciso ver as consequências disso no procedimento negocial", sobre o período de extensão.

"O prazo vai depender muito também daquilo que for decidido no Reino Unido", disse o deputado, frisando que "é por isso que o Conselho Europeu tendo registado o pedido de adiamento, por parte do Reino Unido, não deliberou ainda, porque deliberar significa também confirmar se um prazo até 31 de janeiro é suficiente ou não".

O deputado afirma que Estrasburgo não prescinde de ter a última palavra sobre o acordo, pois "do lado europeu, toda a gente quer perceber primeiro qual é a posição final do Reino Unido, quanto a esta proposta de acordo antes de poder decidir alguma coisa seja sobre a extensão, seja sobre a ratificação aqui no Parlamento Europeu".

O deputado considera que como até aqui tudo depende do ritmo e do resultado da discussão em Londres, já que "qualquer alteração ao acordo, que venha a ser introduzida, na Câmara dos Comuns é uma alteração substantiva, ao acordo e obriga a repensar os termos das soluções encontradas, e portanto qualquer alteração desse género evidentemente implica uma extensão".

"Se for preciso, o Parlamento Europeu está disponível para, na próxima quinta-feira avaliar a situação, e tomar decisões sobre isso e não excluímos a possibilidade da convocação extraordinária do plenário, para a próxima semana", disse o deputado, embora considera que "não está excluída uma extensão que dê mais tempo para que toda a avaliação que tem que ser feita ocorra".

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