May apresenta proposta que obriga parlamento a decidir sobre novo referendo

O Governo britânico reuniu para discutir os pormenores do que Theresa May chamou de "proposta ousada", para obter apoio parlamentar para o seu acordo de Brexit.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentou esta terça-feira uma nova proposta de Brexit que apresentará no Parlamento britânico e que obriga a que os deputados votem sobre um segundo referendo.

Numa comunicação feita horas depois de o seu governo ter apoiado esta nova proposta de Brexit, Theresa May disse hoje que continua "empenhada em garantir a saída do Reino Unido da União Europeia" e mostrou-se confiante de que a nova proposta terá a aprovação no Parlamento, onde será votada na primeira semana de junho.

May diz que a proposta incluirá o requisito de haver uma votação no Parlamento sobre se será feito um novo referendo sobre o Brexit e apresentou algumas novas propostas garantindo a proteção de direitos dos trabalhadores, comprometendo-se a manter-se alinhada com a Irlanda do Norte sobre o backstop e assegurando que não haverá alterações na proteção ambiental se houver uma saída do Reino Unido.

Governo apoia novo acordo

Theresa May garantiu esta terça-feira o apoio do seu Governo para apresentar uma nova proposta de saída da União Europeia, para a qual ela espera finalmente conseguir aprovação do Parlamento.

Ao longo de três horas, o Executivo de Londres reuniu-se para discutir os pormenores do que Theresa May chamou de "proposta ousada", para obter apoio parlamentar para o seu acordo de Brexit.

May deverá ainda esta terça-feira dar mais informações sobre este "novo acordo", num discurso muito aguardado, pela repercussão na prolongada negociação sobre o Brexit.

Não é provável que as mudanças acordadas pelo governo - cujos membros estão divididos sobre o Brexit - sejam suficientemente amplas para mudar a posição dos deputados britânicos, que por várias vezes recusaram um entendimento sobre a forma de saída da União Europeia.

O Reino Unido já devia ter deixado a União Europeia em 29 de março, mas a comunidade de países permitiu a extensão do prazo até 31 de outubro, no meio de um impasse político.

"Radicalmente diferente"

As conversações sobre a obtenção de um compromisso entre o Partido Conservador, de Theresa May, e o Partido Trabalhista, na oposição, voltaram a fracassar, na passada semana.

May diz que tentará retomar o processo de negociações, no início de junho, pedindo aos deputados que votem numa proposta de retirada que seja aceite por Bruxelas.

A proposta provavelmente incluirá promessas sobre questões como direitos dos trabalhadores e proteções ambientais, que são prioridades para o Partido Trabalhista de centro-esquerda.

Mas a porta-voz do Partido Trabalhista, Emily Thornberry, já disse que os deputados do seu partido irão votar contra, a menos que a proposta seja "radicalmente diferente".

May disse que depois de o Parlamento votar a nova proposta, estabelecerá um cronograma para o seu abandono de funções, como líder do Partido Conservador e como primeira-ministra.

Os Conservadores pró-'Brexit' culpam May pelo impasse político e querem substituí-la por um defensor acérrimo do 'Brexit', como Boris Johnson, ex-ministro das Relações Exteriores do governo de Theresa May.

Notícia atualizada às 17h00

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