Bruxelas condena "lamentável" morte de Floyd mas admite casos semelhantes na Europa

Comissário europeu dos Direitos Sociais refere que situação nos EUA prova como é importante sociedades com convivência pacífica e sem discriminação.

A Comissão Europeia condena o caso "profundamente lamentável" de violência policial que levou à morte do afro-americano George Floyd nos Estados Unidos, mas admite situações semelhantes na Europa, que têm de ser combatidas, segundo a instituição.

"O que está a acontecer nos Estados Unidos é profundamente lamentável e penso que temos de, em todo o lado, incluindo na Europa, lutar contra o racismo e contra este tipo de violência", afirmou em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas, o comissário europeu dos Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

Segundo o responsável luxemburguês, este caso "mostra o quão importante é ter sociedades onde as pessoas convivam de forma pacífica e onde não haja discriminação".

"Isto é algo que devemos combater, embora não se possa dizer que isto nunca aconteceu na Europa", sublinhou Nicolas Schmit.

"Já houve alguns conflitos que, ainda assim, não tiveram a gravidade do que está a acontecer nos Estados Unidos", acrescentou, aludindo aos contornos graves da morte de George Floyd -- asfixiado por um polícia -, que foram denunciados em partilhas nas redes sociais e motivaram uma acesa onda de protestos nos Estados Unidos.

Também na Europa, em cidades como Berlim ou Londres, se replicaram estas manifestações contra o racismo. Nem a pandemia de Covid-19 demoveu milhares manifestantes nestas cidades, que empunharam cartazes com frases como "Black Lives Matter" (as vidas dos negros importam) e "I can't breathe" (não consigo respirar, numa alusão às últimas palavras de George Floyd).

"É uma questão importante para nós, enquanto sociedade, porque as sociedades democráticas não devem aceitar o racismo e a violência motivada pelo racismo. São situações que devemos combater e temo-lo feito", adiantou Nicolas Schmit na entrevista à Lusa.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu a 25 de maio, em Minneapolis (Minesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos quatro mil pessoas foram detidas e o recolher obrigatório foi imposto em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, mas diversos comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra os manifestantes têm intensificado os protestos.

Os quatro polícias envolvidos no incidente foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de assassínio em terceiro grau e de homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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