Bruxelas melhora projeção de saída da economia europeia da "sombra da Covid"

A Comissão Europeia estimou, para este ano, um crescimento de 4,3% na zona euro e de 4,2% na União.

A Comissão Europeia reviu esta quarta-feira em alta o ritmo da recuperação da economia europeia, estimando para este ano um crescimento de 4,3% na zona euro e de 4,2% na União, e de 4,4% em ambas em 2022.

As previsões macroeconómicas da primavera, esta quarta-feira divulgadas pelo executivo comunitário, invertem a tendência registada nos anteriores exercícios de projeções macroeconómicas desde a chegada da pandemia da Covid-19 à Europa, que levou a Comissão a sucessivas revisões em baixa, tendo agora Bruxelas melhorado consideravelmente as previsões de inverno divulgadas em fevereiro passado.

Há três meses, a Comissão, apontando que a economia europeia permanecia "nas garras da pandemia da Covid-19" e estimava que em 2021 o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro crescesse 3,8% e o da União Europeia 3,7%, tendo então agora melhorado em ambos os casos as previsões de crescimento em meio ponto percentual.

Para 2022, Bruxelas melhorou a perspetiva de crescimento para as economias da área do euro de uma subida do PIB de 3,8% (antecipada no inverno) para 4,4%, e no conjunto dos 27 Estados-membros de 3,9% também para 4,4%.

Em 2020, a economia do espaço da moeda única contraiu 6,6% e a do conjunto da União 6,1%.

O executivo comunitário justifica este seu maior otimismo com os efeitos na economia da campanha de vacinação e o levantamento progressivo das restrições nos Estados-membros, que Bruxelas acredita que levará a um aumento do consumo privado, investimento e um aumento da procura das exportações da UE num cenário de fortalecimento da economia a nível global.

A Comissão nota, todavia, que o apoio que os Estados têm prestado às famílias e empresas, "vital para mitigar o impacto da pandemia na economia", levou a um aumento considerável da dívida pública, que deverá aumentar este ano meio ponto percentual, para 7,5% do PIB na UE e 8% na zona euro, com todos os países à exceção de Dinamarca e Luxemburgo a apresentarem este ano um défice superior ao limiar de 3% inscrito no Pacto de Estabilidade e Crescimento, cujas regras estão atualmente suspensas.

"A sombra da Covid-19 está a começar a deixar de encobrir a economia europeia. Após um fraco início do ano, projetamos um forte crescimento tanto em 2021 como em 2022", observou numa primeira análise o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, manifestando-se confiante de que o impacto do pacote de recuperação «NextGenerationEU» "começará a fazer-se sentir".

Bruxelas acredita que as condições do mercado de trabalho "estão a melhorar lentamente após o impacto inicial da pandemia" e que o pico da taxa de desemprego já foi superado, estimando que a mesma seja este ano de 8,4% na zona euro, recuando para os 7,8% em 2022, enquanto na UE a 27 se fixe nos 7,6% em 2021 e desça para os 7% no próximo ano.

A nível da inflação, a Comissão espera que esta "varie significativamente ao longo do corrente ano", fixando-se este ano nos 1,7% na zona euro e nos 1,9% na UE, recuando respetivamente para 1,3% e 1,5% no próximo.

O executivo comunitário adverte que os riscos em torno destas projeções "permanecem elevados, e assim continuarão, enquanto a sombra da pandemia da Covid-19 ainda pairar sobre a economia".

"Os desenvolvimentos na situação epidemiológica e a eficiência e eficácia dos programas de vacinação podem revelar-se melhores ou piores do que aqueles assumidos no cenário central desta previsão", assume o executivo comunitário, que alerta que os Estados-membros não devem retirar prematuramente os apoios em curso no contexto da pandemia, sob pena de prejudicarem a recuperação.

A Comissão aponta que estas previsões da primavera já incorporam muitas medidas de reformas e investimentos contempladas nos Planos Nacionais de Recuperação e Resiliência (PRR) que os Estados-membros têm apresentado a Bruxelas, ainda que restem muitos elementos em discussão com as capitais.

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