Bruxelas nega rutura das negociações com Reino Unido

Merkel terá dito que a UE só vai aceitar um acordo que mantenha a Irlanda do Norte na união aduaneira europeia, o que contraria o plano do primeiro-ministro para resolver o impasse do Brexit.

A Comissão Europeia negou esta terça-feira uma iminente rutura das negociações entre a União Europeia e o Reino Unido, precisando que as discussões técnicas sobre a proposta apresentada pelo Governo britânico para o Brexit estão a decorrer.

"As discussões técnicas prosseguem hoje. Não vejo como podem estar num ponto de rutura, se estão a acontecer hoje e estão previstas para os próximos dias. Estamos a dar a oportunidade ao Reino Unido de apresentar as suas propostas mais detalhadamente", reagiu a porta-voz do executivo comunitário, ao ser questionada sobre as informações segundo as quais Boris Johnson está a preparar-se para uma rutura das negociações com a União Europeia (UE).

Mina Andreeva, que falava na habitual conferência de imprensa da Comissão Europeia em Bruxelas, precisou ainda que o negociador-chefe do bloco comunitário, Michel Barnier, vai informar na quarta-feira o colégio de comissários sobre o ponto da situação das negociações do Brexit.

Boris Johnson está a preparar-se para uma rutura das negociações com a UE, uma decisão tomada após um telefonema com a chanceler alemã, Angela Merkel, indicou fonte do Governo britânico à BBC.

Segundo a BBC, Merkel terá dito que a UE só vai aceitar um acordo que mantenha a Irlanda do Norte na união aduaneira europeia, o que contraria o plano do primeiro-ministro para resolver o impasse do Brexit.

Sem manter a província britânica alinhada com o mercado único europeu para evitar uma fronteira física na ilha da Irlanda, "ela disse que um acordo é altamente improvável", adiantou outra fonte do Governo à Sky News.

Sobre a alegada posição da chanceler alemã, Mina Andreeva escusou-se a tecer comentários, argumentando não ter ouvido Merkel proferir tais declarações e remetendo qualquer esclarecimento para a sua equipa de comunicação.

O Governo britânico propôs na semana passada a criação de uma zona regulatória comum entre a Irlanda do Norte e a vizinha Irlanda para facilitar a circulação de bens agroalimentares e industriais.

Porém, o plano pressupõe que a Irlanda do Norte saia da união aduaneira europeia e fica a fazer parte de uma união aduaneira britânica quando o Reino Unido sair da UE, após o período de transição, no final de 2020.

O alinhamento com as regras do mercado comum na Irlanda do Norte teria de ser autorizado pelas autoridades autónomas da província britânica todos os quatro anos.

O Governo britânico considera que esta posição representa uma concessão e esperava que fosse suficiente para abrir negociações aprofundadas para chegar a um acordo a tempo do Conselho Europeu na próxima semana.

Outra fonte anónima, que a antiga ministra do Trabalho Amber Rudd disse à BBC Radio 4 acreditar ser o assessor do primeiro-ministro Dominic Cummings, adiantou à revista Spectator que, "se este acordo morrer nos próximos dias, não será ressuscitado".

Neste cenário, Londres vai tentar concretizar uma saída sem acordo a 31 de outubro, ameaçando com retaliações os países que aceitarem um eventual pedido de adiamento do Brexit.

Legislação em vigor estipula que o primeiro-ministro é obrigado a pedir uma extensão do processo do Brexit por mais três meses, até 31 de janeiro, se não for alcançado um acordo até 19 de outubro nem autorizada uma saída sem acordo.

"Vamos deixar claro, de forma privada e pública, que os países que se opuserem ao adiamento vão estar na frente da fila para uma futura cooperação - cooperação em assuntos dentro e fora das competências da UE. Aqueles que apoiarem o adiamento irão para o fim da fila", vincou a mesma fonte.

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