Covid-19. Bruxelas garante Remdesivir para 30 mil pacientes

Bruxelas diz que partir de agosto vai ter um conjunto de doses de Remdesivir, suficiente para tratar 30 mil pessoas com a forma mais severa da Covid-19.

A Comissão Europeia anunciou hoje um contrato com a farmacêutica Gilead para a aquisição do o único medicamento validado oficialmente para o tratamento dos casos graves da Covid-19, que vai estar disponível para ser distribuído pelos stocks nacionais, dentro de poucos dias.

"A partir do início de agosto, lotes deste medicamento, Veklury [marca comercial do Remedesivir] será disponibilizado aos Estados-Membros e ao Reino Unido. A Comissão coordenará a distribuição desses lotes", anunciou a porta-voz Dana Spinant.

"O instrumento de apoio de emergência da comissão vai financiar este contrato, que totaliza 63 milhões de euros, garantindo o tratamento de aproximadamente 30 mil pacientes com sintomas graves de Covid-19", acrescentou, admitindo que mais doses do medicamento estejam já a ser negociadas, para reforçar os stocks no período crítico da rentrée pós-férias.

"Este primeiro lote servirá apenas para as necessidades imediatas", afirmou, assegurando que "ao mesmo tempo, a Comissão está também a preparar um contrato conjunto para novas entregas deste medicamento, para cobrir as necessidades adicionais a partir de outubro".

A eficácia do Remdesivir para encurtar o tempo de recuperação e internamento dos pacientes em que a Covid-19 se manifesta de forma violenta foi confirmada oficialmente pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças Contagiosas no final de junho. A 2 de Julho, a Agencia Europeia do Medicamento (EMA) validou o uso do medicamento.

Porém, a aquisição de lotes deste fármaco enfrentou a concorrência norte-americana, depois da administração de Donald Trump ter requisitado toda a produção da Gilead para os Estados Unidos.

Em entrevista à TSF e ao DN, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides não escondia a preocupação, mas prometia bater-se para assegurar o Remdesivir, para a Europa.

"Estou a par da posição dos Estados Unidos, (...) Precisamos de avançar muito rapidamente, para garantir a disponibilidade de tratamentos, potencialmente eficazes e cientificamente eficazes da Covid", disse, anunciando ter "tomado nota da decisão dos Estados Unidos".

"Também quero partilhar que tive muitas discussões com a Gilead nas últimas semanas, - não apenas agora -, para garantir o acesso máximo ao Remdesivir na União Europeia, e que essas discussões e as negociações estão atualmente em andamento. Portanto, já estamos a negociar com a Gilead", disse à TSF e ao DN.

A negociação ficou concluída hoje com um contrato de 63 milhões de euros com a Gilead, que garante o acesso a tratamento para 30 mil pacientes.

Numa declaração escrita, divulgada em Bruxelas, a comissária da Saúde, afirma que "nas últimas semanas, a Comissão tem trabalhado incansavelmente com a Gilead para alcançar um acordo que garanta o fornecimento de stocks do primeiro tratamento autorizado contra a Covid-19 à UE".

"Ontem, menos de um mês após a autorização do Remdesivir, foi assinado um contrato que irá permitir tratar milhares de doentes a partir do início de agosto", afirma Stella Kyriakides, assegurando que vai tentar fechar novos contratos para aquisição do medicamento.

"A Comissão não poupa esforços para garantir o acesso a tratamentos seguros e eficazes, bem como para apoiar o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus", afirmou, acreditando que "o acordo de ontem é mais um importante passo em frente na nossa luta contra esta doença".

Bruxelas garante que "embora autorizado na UE, o medicamento continua a ser monitorizado para efeitos de garantia da segurança".

"A Gilead foi igualmente convidada a apresentar à EMA, até dezembro de 2020, os relatórios finais dos estudos sobre o Remdesivir, enquanto parte das condições a preencher para passar de uma autorização condicional de introdução no mercado para uma autorização plena. Prevê-se que, até agosto de 2020, sejam apresentados mais dados sobre a eficácia e a segurança do medicamento para finalizar este processo".

O Remdesivir é um tratamento para a Covid-19 destinado a adultos e adolescentes a partir dos 12 anos com pneumonia, que necessitam de oxigénio suplementar.

O pedido de autorização de introdução no mercado foi apresentado à Agência Europeia de Medicamentos a 8 de junho.

A recomendação da EMA foi aprovada pelos Estados-Membros através do Comité Permanente dos Medicamentos para Uso Humano.

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