Bruxelas propõe "carregador único" para aparelhos portáteis

Bruxelas quer acabar incompatibilidades entre os sistemas de carregamento de baterias dos diferentes aparelhos.

A Comissão Europeia apresentou hoje uma proposta para que os aparelhos eletrónicos passem a dispor de um carregador único, compatível entre diferentes dispositivos. Com esta proposta, Bruxelas espera contribuir para a "redução do lixo eletrónico".

O consumidor deverá dispor de um único modelo de carregador, para os vários dispositivos eletrónicos. A porta de carregamento e a tecnologia de carregamento rápido serão harmonizadas. "O USB-C tornar-se-á a porta padrão para todos os smartphones, tablets, câmaras, fones auditivos, altifalantes portáteis e consolas de videojogos portáteis", refere o comunicado divulgado em Bruxelas.

A Comissão propõe também que a venda de carregadores seja separada da veda de dispositivos eletrónicos, esperando não apenas "melhorar a conveniência para os consumidores, como e reduzir a pegada ambiental associada à produção e descarte de carregadores". Bruxelas pretende que a medida dê um contributo para "as transições verdes e digitais".

Desde 2009 a União Europeia vem a abordar o tema e a trabalhar com a indústria, que voluntariamente "tem vindo a reduzir o número de carregadores de telemóvel - de 30 para três - na última década". Porém, ainda "não foi possível fornecer uma solução completa", frisa a Comissão.

Desperdício

Em 2020, foram vendidos "cerca de 420 milhões de telemóveis e outros dispositivos eletrónicos portáteis", no espaço europeu. A Comissão calcula que a quantidade de "carregadores descartados e não usados ​​são e alcance as "11 mil toneladas de lixo eletrónico a cada ano".

"Em média, os consumidores possuem cerca de três carregadores de telemóvel, dos quais usam dois regularmente", de acordo com os dados de Bruxelas, que analisou também a experiência dos consumidores, em relação às incompatibilidades dos diferentes carregadores, com 38% a relatarem que "pelo menos uma vez não conseguiram carregar o telemóvel porque os carregadores disponíveis eram incompatíveis".

Frustração

"A situação não é apenas inconveniente, mas também onerosa para os consumidores, que gastam aproximadamente 2,4 mil milhões de euros anualmente em carregadores que não são fornecidos com os dispositivos eletrónicos", refere a nota da Comissão.

"Os consumidores europeus ficam frustrados tempo de mais, com carregadores incompatíveis amontoados nas gavetas", afirmou a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, com a parta da Europa Digital, considerando que "a indústria teve bastante tempo para apresentar as próprias soluções", para harmonização dos sistemas de carregamento, mas "agora é hora de uma ação legislativa"

O comissário responsável pelo Mercado Interno, Thierry Breton acredita que, quando a proposta entrar em vigor, "os consumidores europeus poderão usar um único carregador para todos os dispositivos eletrónicos portáteis", traduzindo-se "num passo importante para aumentar a conveniência e reduzir o desperdício".

A proposta de revisão da diretiva relativa aos equipamentos de rádio terá ainda de ser adotada pelo Parlamento Europeu e em codecisão com o Conselho Europeu.>

Bruxelas espera que "um período de transição de 24 meses a partir da data de adoção dará à indústria tempo suficiente para se adaptar antes da entrada em vigor".

Sustentabilidade

A revisão da Diretiva Equipamentos de Rádio de uma ação da Comissão Europeia para abordar a sustentabilidade dos produtos, nomeadamente os eletrónicos, no espaço comunitário, que será tratada numa futura proposta sobre produtos sustentáveis.

Do ponto de vista técnico, a Comissão salienta que para que carregador seja comum, "é necessária total interoperabilidade em ambos os lados do cabo", ou seja, "no dispositivo eletrónico e na fonte de alimentação externa".

A interoperabilidade na extremidade do dispositivo "é de longe o maior desafio, será alcançada pela proposta de hoje". Já a interoperabilidade da fonte de alimentação externa "será abordada pela revisão do Regulamento de conceção ecológica da Comissão", o qual será lançado "ainda este ano para que a sua entrada em vigor possa ser alinhada com a proposta de hoje".

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