Bruxelas quer mecanismo europeu de empréstimos para apoiar famílias na UE

Paolo Gentiloni considera que "para enfrentar esta crise, precisamos de um nível mais elevado de solidariedade", relembrando o mecanismo SURE, anunciado durante a pandemia.

O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, defendeu esta terça-feira a criação de um mecanismo europeu temporário, baseado em empréstimos em condições favoráveis, para os países da União Europeia (UE) apoiarem famílias e empresas devido à crise energética.

"Se queremos evitar a fragmentação, se queremos enfrentar esta crise, penso que precisamos de um nível mais elevado de solidariedade e precisamos de pôr em prática mais alguns instrumentos comuns e, por exemplo, o que fizemos com o mecanismo SURE durante a pandemia foi uma proposta interessante", afirmou Paolo Gentiloni.

Em declarações aos jornalistas à chegada da reunião dos ministros da Economia e das Finanças da UE (Ecofin), no Luxemburgo, o responsável europeu lembrou que o programa SURE, usado para enfrentar a crise da Covid-19, se "baseia em empréstimos", concedidos em condições favoráveis aos países da UE que solicitem esta ajuda.

Anunciado em abril de 2020 devido à pandemia, este novo instrumento financeiro estipulou um total de 100 mil milhões de euros para os 27 Estados-membros apoiarem as empresas e os trabalhadores por conta própria a manterem os empregos e os rendimentos, funcionando como um esquema de desemprego temporário (através da redução do horário laboral) para, assim, salvaguardar os postos de trabalho.

"Penso que [um mecanismo temporário deste género para enfrentar a crise energética] poderia ser realista", vincou hoje Paolo Gentiloni.

"É claro que não é algo que vamos discutir hoje, mas quero deixar bem claro que o nosso objetivo é aumentar a solidariedade, evitar riscos de fragmentação e não criticar este ou aquele Estado-membro", adiantou o comissário europeu da Economia.

A posição surge depois de, na reunião do Eurogrupo de segunda-feira, ter sido questionado o impacto no conjunto da UE da nova "bazuca" da Alemanha, um pacote 200 mil milhões de euros em ajudas às famílias e empresas alemãs para lidarem com os elevados preços da energia, nomeadamente do gás, devido à atual crise, acentuada pela invasão russa da Ucrânia.

"Não estamos a culpar os países, não estamos a discutir o facto de que os países isolados e os Estados-membros estão, inevitavelmente, a apoiar as suas economias, mas claro que pedimos que as medidas sejam temporárias e direcionadas", disse ainda Paolo Gentiloni, falando à chegada da reunião do Ecofin.

O responsável concluiu que "a questão não é criticar nenhum Estado-membro, mas sim encontrar a possibilidade de dar mais alguns passos", pelo que este novo instrumento semelhante ao SURE poderia ser uma solução, a seu ver.

Na segunda-feira, o Eurogrupo rejeitou "um apoio alargado" orçamental às economias da moeda única em 2023 devido à acentuada crise energética e à elevada inflação, sugerindo antes medidas direcionadas e propondo menos consumo de energia para estabilizar os preços.

Na passada quinta-feira, o chanceler alemão, Olaf Scholz, anunciou a reativação do fundo de estabilização económica usado durante a pandemia de Covid-19 e a crise financeira para, agora, limitar o preço que os consumidores pagam pelo gás usado para aquecer as casas, gerar eletricidade e abastecer fábricas.

Por estes dias, a Comissão Europeia prepara uma proposta para avançar na UE com tetos aos preços do gás, mas de acordo com fontes europeias esta medida conta com a oposição da Alemanha, que por seu turno avança com medidas orçamentais avultadas à sua economia.

As tensões geopolíticas devido à guerra na Ucrânia têm afetado o mercado energético europeu, desde logo porque a UE depende dos combustíveis fósseis russos, como o gás, e teme cortes no fornecimento este outono e inverno.

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