Calor anormal pode aumentar lesões fatais. Homens são os mais afetados

Estudo alerta para a necessidade urgente de intervenção contra as mortes por lesões em períodos de maior calor.

O aumento das temperaturas devido ao aquecimento global pode aumentar o número de mortes causadas por lesões, com especial prevalência nos homens dos Estados Unidos.

As razões prendem-se, essencialmente, com os comportamentos associados ao consumo de álcool, à qualidade da condução de veículos e à variação dos níveis de raiva e angústia. As conclusões são de um estudo divulgado pela revista científica Nature Medicine.

De acordo com os investigadores, num ano "anormalmente quente" - segundo a definição do Acordo de Paris - há mais 1.601 mortes por lesão. Aplicado a 2017, o número de mortes registadas corresponde a 0,75% do total desse mesmo ano.

Destas mortes adicionais, é expectável que 84% sejam de homens. Entre elas, mais de metade das que compõem a amostra do estudo (52,3%) diz respeito a homens entre os 15 e os 44 anos.

Os dados cobrem o território americano (à exceção do Havai e do Alasca) e baseiam-se num aumento mensal das temperaturas de 1,5 ºC - como previsto no Acordo de Paris.

Contudo, os especialistas estimam que, no caso de um aumento de 2 ºC, exista também um crescimento anual deste tipo de mortes: 2.135 - um valor que corresponde a 1% das mortes registadas em 2017.

A amostra compreende as mortes ocorridas entre os anos de 1980 e 2017. Nestes 37 anos, morreram mais de quatro milhões de homens e quase dois milhões de mulheres devido a diversas lesões, valores que representam 9,3% de todas as mortes de homens e 4,2% de todas as mortes de mulheres no período estudado.

Causas da morte

As principais causas de morte foram lesões relacionadas com quedas, afogamentos, assaltos, suicídios e ainda acidentes em meios de transporte: estes fatores causaram a morte de 71,8% das mulheres e 78,6% dos homens.

As mortes por afogamento aumentaram 14% nos homens entre os 15 e os 24 anos. Segundo os investigadores, esta é uma situação expectável, uma vez que a prática de natação é mais comum quando as temperaturas são altas.

Os acidentes em meios de transporte são a principal causa de morte nas mulheres com menos de 75 anos e nos homens com menos de 35. Este tipo de mortes são as que mais variam de acordo com a temperatura. Os especialistas explicam que, com o calor em excesso, a qualidade da condução diminui e o consumo de álcool é maior junto dos jovens, o que provoca um aumento das colisões fatais.

"As lesões associadas a acidentes com transportes e os suicídios são mais comuns nos meses de verão", referem os cientistas responsáveis pela investigação. "As anomalias nas temperaturas são maiores nos meses de janeiro e dezembro e menores em agosto e setembro", acrescentam.

O aumento dos acidentes em meios de transporte, afogamentos, assaltos e suicídios, nos meses de verão, é compensado por uma diminuição, no inverno, das mortes provocadas por quedas em pessoas mais velhas.

Os suicídios foram mais comuns nos homens entre os 35 e 74 anos. Já as quedas afetam de igual modo homens e mulheres com mais de 75 anos.

A relação entre as temperaturas altas e os assaltos é mais difícil de clarificar. Os investigadores colocam a hipótese de que o calor leve as pessoas a sair à rua e a interagir mais, o que, por sua vez, pode provocar mais discussões, confrontos e assaltos.

Relativamente aos suicídios, as altas temperaturas podem causar maiores níveis de angústia nos jovens. Contudo, "é precisa mais investigação neste campo", sublinham.

Apesar de não existirem estudos que associem o aumento das temperaturas às mortes por lesões, os resultados deste estudo vão ao encontro de outros que analisam a relação entre as temperaturas e lesões específicas.

Por exemplo, uma investigação baseada em 37 municípios norte-americanos verificou que, entre 1968 e 2004, com um aumento mensal de temperatura de 1 ºC, há um aumento de 0,7% no número de suicídios, ao passo que, em 100 municípios, as mortes decorrentes de acidentes de viação aumentam em 1,3%.

Também em França, um estudo que incidiu sobre o período entre 1971 e 2003 mostrou que, com ondas de calor, a taxa de assaltos e suicídios sobe 4%.

Os cientistas mencionam, ainda, que "é urgenteintervir contra este tipo de lesões em períodos de calor extremo, em particular, devido ao facto de a probabilidade de ocorrência deste tipo de episódios aumentar com o aquecimento global".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de