"Caos e medo." Guterres pede proteção dos direitos humanos no Afeganistão

Secretário-geral da ONU espera que todos os países trabalhem em conjunto para "suprimir a ameaça terrorista mundial no Afeganistão".

O secretário-geral das Nações Unidas afirma que é urgente garantir a proteção dos direitos humanos no Afeganistão. Na abertura da reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, António Guterres deixou dois apelos. Aos taliban pediu para que seja aberto um corredor humanitário e aos países vizinhos para que recebam os refugiados.

"Todos nós vimos as imagens em tempo real. Caos e medo. Muito está na balança. O progresso, a esperança e o sonho de uma geração de raparigas e mulheres, rapazes e homens. Nesta hora de de luto apelo aos taliban para protegerem a vida, para que todas as necessidades humanitárias sejam cumpridas, e apelo a todas as partes que desimpeçam o acesso a toda a ajuda humanitária", pediu.

Guterres espera que todos os países trabalhem em conjunto para "suprimir a ameaça terrorista mundial no Afeganistão".

"A comunidade internacional deve unir-se para garantir que o Afeganistão nunca mais seja usado como plataforma ou refúgio de organizações terroristas. Os próximos dias serão decisivos. O mundo está de olhos postos em nós. Não devemos nem podemos abandonar a população do Afeganistão", sustentou, numa altura em que milhares de pessoas estão concentradas no aeroporto de Cabul tentando desesperadamente sair do país.

A chegada dos talibãs a Cabul no domingo precipitou a saída do país do Presidente afegão, Ashraf Ghani, após terem tomado o controlo de 28 das 34 capitais provinciais em dez dias, e sem grande resistência das forças de segurança governamentais, no âmbito de uma grande ofensiva iniciada em maio - altura em que começou a retirada das tropas norte-americanas e da NATO do país, que deverá ficar concluída no final deste mês.

Um porta-voz do movimento islâmico radical, que governou no Afeganistão entre 1996 e 2001, disse no domingo à televisão pública britânica BBC que os talibãs pretendem assumir o poder no Afeganistão "nos próximos dias", através de uma "transição pacífica", 20 anos após terem sido derrubados por uma coligação liderada pelos Estados Unidos, pela sua recusa em entregar o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Esta segunda-feira, numa mensagem de vídeo, o mullah Baradar Akhund, chefe do gabinete político talibã no Qatar, fez a primeira declaração pública de um líder talibã após a conquista do país, anunciando o fim da guerra no Afeganistão, com a vitória dos talibãs, após a fuga no domingo do Presidente, Ashraf Ghani, e a captura de Cabul.

Com a partida de Ghani, um grupo de líderes políticos formou o Conselho de Coordenação para a transição de poder para os talibãs, composto pelo ex-presidente afegão Hamid Karzai, o presidente do Alto Conselho para a Reconciliação, Abdullah Abdullah, e o líder do partido Hizb-e-Islami e antigo senhor da guerra, Gulbuddin Hekmatyar.

No entanto, os talibãs não forneceram, até agora, informações sobre como funcionará o processo de transição ou a tomada do poder.

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