Caso dos submarinos mostra que Europa já não pode contar com EUA

A crise entre os dois países deve-se ao facto de os Estados Unidos, Reino unido e Austrália terem assinado o pacto AUKUS.

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, afirmou esta quinta-feira que a crise dos submarinos mostra que a União Europeia "já não pode contar" com os Estados Unidos para garantir proteção e pediu aos europeus que "abram os olhos".

"A primeira lição a tirar deste episódio é que a União Europeia deve construir a sua independência estratégica. O episódio do Afeganistão e o episódio dos submarinos mostram que já não podemos contar com os Estados Unidos para garantir a nossa proteção estratégica", referiu, em declarações à Franceinfo.

"Os Estados Unidos só têm uma preocupação estratégica: a China, e conter o aumento de poder da China", acrescentou o ministro francês.

Segundo Bruno Le Maire, tanto o ex-Presidente Donald Trump como o atual, Joe Biden, "acreditam que os seus aliados devem ser dóceis".

"Mas nós acreditamos que devemos ser independentes", defendeu, acrescentando que "os parceiros europeus têm de abrir os olhos".

A crise entre os dois países deve-se ao facto de os Estados Unidos, Reino unido e Austrália terem assinado o pacto AUKUS (iniciais em inglês dos três países anglo-saxónicos), que visa reforçar a cooperação trilateral em tecnologias avançadas de defesa, como a inteligência artificial, sistemas submarinos e vigilância a longa distância.

Uma primeira consequência foi o cancelamento, pela Austrália, de um contrato com a França para o fornecimento de submarinos convencionais e a intenção de comprar submarinos nucleares aos Estados Unidos, o que originou fortes protestos e críticas de Paris.

A França tinha um contrato para a entrega à Austrália de 12 submarinos com propulsão convencional no valor de 56 mil milhões de euros, que foi cancelado por Camberra, tendo o Governo australiano decidido comprar submarinos nucleares aos Estados Unidos.

A decisão foi fortemente criticada tanto pela França como por vários países europeus e pelos dirigentes da União Europeia e azedou as relações com os Estados Unidos.

O único país europeu que não criticou a decisão foi a Dinamarca, cuja primeira-ministra, Mette Frederiksen, afirmou não perceber a posição tomada pelos parceiros europeus.

O ministro da Economia francês aproveitou a entrevista de hoje para criticar "o apoio da Dinamarca aos Estados Unidos".

"Pensar como o chefe de Estado da Dinamarca, que os Estados Unidos continuarão a proteger-nos e defender-nos aconteça o que acontecer, é um erro", considerou, adiantando que, a partir de agora, a Europa "não pode contar com ninguém além de si mesma".

Os dois presidentes desavindos, dos Estados Unidos e de França, conversaram na quarta-feira, por telefone, e concordaram reunir-se em outubro para reduzir a tensão diplomática provocada pelo caso dos submarinos australianos.

Num comunicado conjunto após uma conversa telefónica, os dois líderes anunciaram que se encontrarão "na Europa, no final de outubro" e que o embaixador francês em Washington, convocado para consultas na semana passada, regressará ao cargo na próxima semana.

"Os dois líderes concordaram que a situação pode beneficiar com consultas abertas entre aliados", acrescentou o comunicado, referindo-se aos protestos de Paris sobre a falta de aviso prévio sobre o pacto de defesa entre os Estados Unidos, Austrália e Reino Unido.

"O Presidente Biden expressou o seu compromisso duradouro com esta matéria", acrescenta-se no comunicado conjunto, referindo-se que o líder norte-americano considerou "necessário que a defesa europeia seja mais forte e eficiente" para contribuir para a segurança transatlântica e cumprir o "papel da NATO".

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