Centenas de mortos após novos ataques de milícias no Sudão

Disputa de terras este na origem dos episódios que causaram também milhares de deslocados.

Um novo golpe de violência cometido por milícias na região em conflito de Darfur, no oeste do Sudão, causou centenas de mortos e milhares de deslocados, alertou esta segunda-feira um responsável do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Relatórios credíveis que chegaram ao ACNUR no Sudão indicam um número terrível de vítimas em Kulbus, oeste de Darfur, depois que uma disputa de terras se ter transformado num ataque de milícias a várias aldeias", disse o coordenador principal de situação do ACNUR em Darfur, Toby Harward, na sua conta pessoal no Twitter.

Como resultado dessa escalada de violência, houve "quase 100 mortes e milhares de deslocados em cidades vizinhas", acrescentou.

Toby Harward destacou a necessidade das forças conjuntas, criadas em dezembro passado pelo Governo sudanês com membros do Exército regular e dos movimentos armados rebeldes, com os quais assinou um acordo de paz no ano passado, restaurarem a ordem na área e protegerem a população civil e que os líderes comunitários locais iniciem um diálogo.

Darfur, que viveu uma guerra civil de cariz étnico entre 2003 e 2008 com mais de 300.000 mortos e 1,8 milhão de deslocados e onde havia uma missão de paz da ONU até 31 de dezembro de 2020, é palco de frequentes ataques de violência, principalmente devido a conflitos tribais.

O coordenador do ACNUR na região alertou que se a violência continuar na área, "os agricultores não poderão plantar e a época agrícola ficará perdida", o que "será desastroso para todas as comunidades".

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alertou há alguns dias que mais de 10,9 milhões de sudaneses, cerca de 30% da sua população, sofrem de fome extrema.

A agência atribuiu esta situação, a pior da última década, aos conflitos armados internos, aos efeitos da pandemia de Covid-19, à seca, às pragas e à instabilidade económica na região, e antecipou que poderá agravar-se pelos efeitos da guerra na Ucrânia.

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