Centenas de timorenses atravessaram a fronteira irregularmente

Dados dos serviços de inteligência apontam que nas últimas semanas "até 700 pessoas" possam ter atravessado ilegalmente a fronteira.

O Governo timorense apelou esta segunda-feira à colaboração das autoridades indonésias para controlar centenas de membros de um grupo de artes marciais timorense que atravessaram ilegalmente a fronteira com a indonésia nas últimas semanas.

"A Indonésia sabe para onde estas pessoas estão a ir, sabe em que cerimónias estão a participar e poderiam facilmente detê-las e deportá-las para Timor-Leste. Mas o que ocorre é que entram ilegalmente e depois, com riscos de transmissão da Covid-19, regressam ilegalmente a Timor-Leste", explicou à Lusa o vice-ministro do Interior, Antonio Armindo.

"Já pedimos apoio das autoridades indonésias através da Embaixada da Indonésia aqui e o primeiro-ministro também já solicitou à ministra dos Negócios Estrangeiros que levante o assunto com Jacarta", referiu o vice-ministro.

Os dados dos serviços de inteligência apontam que nas últimas semanas "até 700 pessoas" possam ter atravessado ilegalmente a fronteira para participar em cerimónias de graduação de cinto do grupo de artes marciais PSHT, adiantou.

"Anualmente há este movimento. As pessoas viajam de todos os municípios de Timor-Leste para as cerimónias de graduação em Timor Ocidental. Os nossos serviços têm já uma lista com mais de 360 nomes, mas o total pode rondar os 700", explicou à Lusa.

O embaixador da Indonésia em Díli, Sahat Sitorus, confirmou à Lusa ter recebido um pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) sobre a situação.

"O pedido foi para coordenar com as forças de segurança em Timor Ocidental, especialmente na zona de Atambua, para repatriar os membros dos grupos de artes marciais que se suspeitam entraram ilegalmente na Indonésia para eventos de artes marciais", disse à Lusa.

"As forças de segurança indonésias estão a tentar localizar estas pessoas que serão imediatamente repatriadas e serão depois colocadas em quarentena em Timor-Leste para prevenir a Covid-19", sublinhou.

As travessias irregulares das pessoas pela fronteira terrestre têm sido desde o início da pandemia o maior fator de risco de transmissão da Covid-19 em Timor-Leste, dada a grande prevalência da doença na metade indonésia da ilha.

Chegadas por via aérea ao país são significativamente mais seguras já que quem chega tem que apresentar testes negativos e tem que cumprir períodos de quarentena, com testes obrigatórios no final, antes de poder sair.

Numa tentativa de resposta a estas travessias terrestres irregulares as autoridades timorenses reforçaram nas últimas semanas todas as operações de patrulhamento, levando à detenção nos últimos três dias de quase 20 pessoas, incluindo facilitadores das travessias.

Hoje a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) anunciou ter capturado mais um membro de um grupo de artes marciais (GAM) acusado de tentar facilitar essas travessias.

"Com base em instruções de reforço do patrulhamento nas fronteiras, colocamos mais agentes do Comando de Operações Especiais junto da Unidade de Patrulhamento Fronteiriço (UPF) para detetar movimentos ilegais", disse

"Nesse âmbito foi detido um jovem que tentou facilitar a entrada a pelo menos cinco pessoas na Indonésia", disse hoje o superintendente-chefe Orlando Gomes, aos jornalistas.

No fim de semana a PNTL já tinha capturado 11 pessoas, incluindo um cidadão indonésio, que atravessaram a fronteira irregularmente, com detenções idênticas nos últimos dias.

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