Centenas protestam no Quirguistão contra assassínio de mulher sequestrada para casar

Aïzada Kanatbekova tinha 27 anos, e foi encontrada morta na quarta-feira pela polícia, depois de ter sido sequestrada por três homens que a colocaram num carro e a amarraram.

Centenas de pessoas protestaram esta quinta-feira em Bishkek, capital do Quirguistão, após o assassínio de uma mulher sequestrada para um casamento forçado, uma tradição deste país da Ásia Central condenada pela ONU e pelos defensores dos direitos humanos.

Aïzada Kanatbekova, de 27 anos, foi encontrada morta na quarta-feira pela polícia, dois dias depois de ter sido sequestrada por três homens que a colocaram num carro e a amarraram.

O sequestro foi filmado por câmaras de vigilância e amplamente partilhado nas redes sociais.

O sequestrador da vítima, seu alegado assassino, também foi encontrado morto, segundo a polícia, que acrescentou tratar-se aparentemente de um suicídio.

Um dos outros dois sequestradores foi detido pela polícia, informou esta quinta-feira a televisão estatal.

A tradição de sequestro para casamentos forçados é muito antiga no Quirguistão e já existia antes de o país se tornar uma república soviética, na década de 1920, tendo resistido às tentativas das autoridades soviéticas de erradicá-lo e registando mesmo um novo 'boom' após a queda da URSS, em 1991.

"É impossível ficar parado a observar a violência que as nossas mulheres, privadas de todos os direitos, têm de suportar", disse o jornalista quirguiz Makhinur Niïazova, que divulgou, no Twitter, um apelo para a realização de um protesto perto das instalações do Ministério do Interior.

A manifestação reuniu 500 pessoas, que exibiam cartazes com inscrições como "Quem vai responder pelo assassinato de Aïzada?" ou "Acabem com os feminicídios!".

Os manifestantes exigiram a demissão do ministro do Interior e do chefe da polícia de Bishkek, acusando as autoridades de inércia face a este sequestro.

Por seu lado, o primeiro-ministro do Quirguistão, Ulugbek Maripov, pediu aos manifestantes para "terem paciência", prometendo que todos os responsáveis pelo assassínio serão levados à Justiça.

O Presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, escreveu, no Facebook, que o incidente constitui "o mais recente sequestro da história" para levar uma mulher a estar presente num casamento forçado.

Em 2018, o assassínio de uma estudante de medicina, Bouroulaï Tourdaaly Kyzy, de 20 anos, morta pelo seu sequestrador numa esquadra quando estava prestes a apresentar queixa contra o homem, já tinha provocado manifestações de milhares de pessoas no Quirguistão.

De acordo com a missão da ONU-Mulheres em Bishkek, um em cada cinco casamentos neste país pobre da Ásia Central -- onde vivem 6,5 milhões de pessoas - acontece depois de um sequestro.

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