Cerca de 20 residentes portugueses residentes no Cazaquistão estão bem

A garantia é dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que assegura que a situação vai continuar a ser acompanhada "ao minuto".

Os cerca de 20 portugueses residentes no Cazaquistão encontram-se bem, incluindo oito a viver em Almaty, a cidade mais afetada pelos distúrbios recentes que provocaram vários mortos, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros esta quinta-feira à agência Lusa.

"Felizmente, não há, até ao momento, nenhum reporte de qualquer problema de segurança que um cidadão ou cidadã portuguesa esteja a enfrentar", disse Augusto Santos Silva.

Portugal tem uma representação diplomática em Nursultan, a capital do Cazaquistão, assegurada por um encarregado de negócios, que tem contactado diariamente, "várias vezes ao dia", os portugueses residentes no país da Ásia Central, disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

"Continuaremos a acompanhar ao minuto a evolução no Cazaquistão de forma a garantir que a comunidade portuguesa que lá vive esteja nas melhores condições possíveis", afirmou Augusto Santos Silva.

Dezenas de pessoas, entre manifestantes e elementos das forças da ordem, foram mortas nos protestos dos últimos dias no Cazaquistão, desencadeados por um aumento do preço dos combustíveis.

Na manhã desta quarta-feira, as autoridades locais anunciaram na televisão pública que 13 elementos das forças de segurança foram mortos e 353 ficaram feridos durante os protestos.

Augusto Santos Silva disse que Portugal espera que a situação no Cazaquistão "evolua positivamente", e apelou para que os "protestos pacíficos sejam respeitados" e as "inquietações das pessoas sejam respondidas".

O Governo português espera que "tudo se processe nas condições de segurança, tranquilidade e ação pacífica indispensáveis para que os cazaques possam ter uma solução própria e inclusiva para a crise que hoje vivem", afirmou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros referiu ainda esperar que a força enviada para o Cazaquistão pela Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO, na sigla em inglês), uma aliança militar de seis antigas repúblicas soviéticas, respeite os direitos dos cazaques.

"O que nós esperamos é que a relação das forças militares e de segurança com a população se faça no respeito pelos princípios de direitos humanos aplicáveis, isto é, com respeito pelo direito das pessoas a exprimirem pacificamente os seus anseios e também os seus protestos", disse o chefe da diplomacia portuguesa.

"Em conformidade com a decisão do Conselho de Segurança Coletiva, adotada a 06 de janeiro, foi enviado ao Cazaquistão um contingente de manutenção da paz por um período de tempo limitado (...) a fim de estabilizar e normalizar a situação" na nação da Ásia Central, lê-se num comunicado da CSTO.

O contingente integra militares da Rússia, Bielorrússia, Arménia, Quirguizistão e Tajiquistão.

Augusto Santos Silva admitiu ainda a possibilidade de a situação no Cazaquistão poder ser abordada na reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, na sexta-feira, convocada para discutir a situação na fronteira da Ucrânia com a Rússia.

"Depende bastante da evolução que ocorra daqui até amanhã à hora da reunião", acrescentou o chefe da diplomacia portuguesa.

Com cerca de 18 milhões de habitantes, o Cazaquistão está a viver os protestos de rua mais graves desde que conquistou a independência, há três décadas.

A antiga república soviética da Ásia Central vende a maior parte das suas exportações de petróleo à China e é um aliado estratégico da Rússia, os seus dois poderosos vizinhos.

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