Chanceler austríaco Sebastian Kurz demite-se após suspeitas de corrupção

Com esta decisão, o até agora chefe do executivo pretende manter a coligação de Governo com os Verdes.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, à frente da coligação entre conservadores e ecologistas desde janeiro de 2020, anunciou este sábado a sua demissão na sequência de suspeitas de corrupção e vai ser substituído pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Quero ceder o lugar para evitar o caos e garantir a estabilidade. Propus ao Presidente [Alexander Van der Bellen] Alexander Schallenberg [ministro dos Negócios Estrangeiros] como o novo chanceler", disse Sebastian Kurz, num comunicado à imprensa.

Com esta decisão, o até agora chefe do executivo pretende manter a coligação de Governo com os Verdes e evitar que se forme uma aliança contra o seu partido ÖVP, com os ambientalistas e os opositores sociais-democratas, liberais e de extrema-direita.

Em relação às acusações do Ministério Público de suspeitas de corrupção, Kurz assegurou, uma vez mais, que se tratam de alegações "falsas".

Na sexta-feira, o parceiro minoritário da coligação de Governo austríaca pediu ao partido do chanceler, Sebastian Kurz, que o substitua por uma "pessoa irrepreensível", após o Ministério Público indicar que ele é alvo de uma investigação por corrupção.

O anúncio do Ministério Público, feito no início desta semana, de que Kurz e outras nove pessoas estão sob investigação por suspeita de quebra de confiança e suborno, desencadeou uma crise na coligação governamental do seu conservador Partido Popular Austríaco e dos Verdes, que assumiu funções em janeiro de 2020.

Kurz e pessoas que lhe são próximas foram acusados de tentar garantir a sua ascensão à liderança do partido e do país com a ajuda de sondagens manipuladas e notícias favoráveis na imprensa, financiadas com dinheiro público.

Sebastian Kurz, que se tornou líder do Partido Popular e depois chanceler em 2017, tem negado ter cometido qualquer irregularidade e deixou claro que não tenciona demitir-se.

Na quinta-feira, os Verdes afirmaram que a investigação cria "uma imagem desastrosa" e levanta questões sobre a "capacidade de ação" do chanceler.

Noutro caso, as autoridades anticorrupção colocaram Kurz sob investigação em maio, por suspeita de falsas declarações numa comissão parlamentar, uma acusação que ele também rejeitou.

Já na sexta-feira, os Verdes foram mais longe: "É claro que alguém nesta situação já não tem capacidade para exercer o cargo", sustentou a líder do grupo parlamentar do partido, Sigrid Maurer.

"O Partido Popular tem a responsabilidade de nomear uma pessoa irrepreensível que possa continuar a dirigir este Governo", prosseguiu.

Kurz, de 35 anos, domina o seu partido que, até agora, cerrou fileiras em torno dele, mas "ainda há tempo, até terça-feira", quando os partidos da oposição planeiam apresentar uma moção de censura contra o chanceler no parlamento, disse Maurer.

Os Verdes discutiram a situação com outros partidos, enquanto o Presidente austríaco, Alexander van der Bellen, realizava reuniões com todos os líderes partidários com assento parlamentar.

A primeira coligação de Kurz, com o Partido da Liberdade, de extrema-direita, desfez-se em 2019. O chanceler pôs-lhe termo após a divulgação de um vídeo em que se via o então vice-chanceler, Heinz-Christian Strache, a oferecer favores a um alegado investidor russo.

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