Charles Michel quer que UE deixe dependência de energia russa "o mais cedo possível"

O Presidente do Conselho Europeu disse que serão necessários parceiros como Estados Unidos e Canadá para "acelerar o processo no sentido de uma menor dependência o mais cedo possível".

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse esta sexta-feira esperar consenso entre os líderes dos 27 para adoção de medidas para "acelerar o processo" de a União Europeia (UE) deixar dependência energética da Rússia "o mais cedo possível".

"Hoje teremos a ocasião de abordar o tema da energia. Este é um tema estratégico e [...] fundamental para o futuro [...] e estamos absolutamente convencidos de que é fundamental tomar medidas pois precisamos de ser menos dependentes o mais rapidamente possível", salientou Charles Michel.

Falando à chegada ao segundo dia da cimeira europeia, que junta em Bruxelas entre quinta-feira e hoje os chefes de Governo e de Estado da UE, o responsável disse também serem necessários parceiros como Estados Unidos e Canadá para "acelerar o processo no sentido de uma menor dependência o mais cedo possível".

"Significa que hoje vamos tentar reafirmar a nossa unidade para trabalhar de perto com a Comissão a fim de abordar diferentes tópicos como a compra comum de gás, as capacidades de armazenamento do gás e, claro, estamos a acompanhar as consequências sociais devido ao aumento dos preços, como da eletricidade e do gás, e queremos fazer tudo o que for possível para garantir que tenhamos em conta as consequências para os nossos cidadãos, as famílias ou as empresas em toda a Europa", elencou ainda Charles Michel.

Na quinta-feira, à chegada à cimeira europeia, o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, disse esperar acordo dos líderes europeus à proposta apresentada juntamente com o seu homólogo português, António Costa, para uma "resposta particular ao problema específico" da Península Ibérica, face à crise energética.

"Tanto Portugal como Espanha, os governos da Península Ibérica, apresentámos uma proposta rigorosa e sólida, do ponto de vista técnico, que não põe em causa o funcionamento do mercado energético europeu, mas que nos poderia, a ambos os governos, dar a capacidade de responder de maneira mais forte a este problema do preço do gás e ao seu efeito no preço da eletricidade", anunciou Pedro Sánchez.

A discussão surge numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia provocado pela invasão russa, tensões geopolíticas essas que têm vindo a afetar o mercado energético europeu, já que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros.

A Rússia é também responsável por cerca de 25% das importações de petróleo e 45% das importações de carvão da UE.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia concluem hoje um Conselho Europeu de dois dias em Bruxelas com uma discussão que se antecipa difícil sobre política energética e como fazer face ao aumento brutal de preços.

Na quinta-feira, primeiro dia da cimeira, os chefes de Estado e de Governo da UE concordaram com a criação de um fundo de solidariedade com a Ucrânia, propondo a realização de uma conferência internacional para angariar financiamento.

Os líderes da UE reconheceram, ainda, as "aspirações europeias e a escolha europeia" da Ucrânia para obter estatuto de país candidato ao bloco comunitário, mas lembraram que aguardam parecer da Comissão Europeia.

Quanto às sanções à Rússia, não foram aprovadas mais, com Charles Michel a indicar hoje que os 27 vão antes "continuar a trabalhar a implementar as sanções porque há lacunas que podem ser usadas para as evitar", pelo que devem "coordenar os esforços para as limitar, sempre que possível".

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