Chefe do Estado-Maior do Irão promete vingança depois de assassínio de cientista

O Irão acusou Israel de desempenhar um "papel" no ataque o chefe do programa nuclear.

O chefe do Estado-Maior iraniano, general Mohammad Bagheri, alertou que "uma terrível vingança" se abaterá sobre os responsáveis pelo assassínio hoje de um cientista iraniano especializado no setor nuclear.

"Os grupos terroristas e os responsáveis e autores dessa tentativa covarde devem saber que uma terrível vingança os aguarda", escreveu Bagheri na rede social Twitter, segundo a agência estatal Irna.

Bagheri considerou a morte de Mohsen Fakhrizadeh um "duro e amargo golpe", garantindo que os iranianos "não terão descanso" até que tenham "caçado e punido" os envolvidos.

O Irão acusou Israel de desempenhar um "papel" no ataque de hoje, através de um 'tweet' do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif.

"Os terroristas assassinaram hoje um proeminente cientista iraniano. Esta covardia -- com sérios indícios do papel de Israel -- mostra o belicismo desesperado dos seus autores", publicou Zarif, no Twitter.

O chefe da diplomacia iraniana apelou também à comunidade internacional para "pôr fim às suas vergonhosas posições ambivalentes e condenar este ato terrorista".

Em comunicado, o Ministério da Defesa do Irão identificou o alvo do ataque como sendo Mohsen Fakhrizadeh, chefe do departamento de pesquisa e inovação daquele ministério.

Mohsen Fakhrizadeh ficou "gravemente ferido" quando o seu carro foi alvejado por vários atacantes, que por sua vez foram atacados pela equipa de segurança do cientista, pode ler-se no comunicado, em que acrescenta que a equipa médica não o conseguiu reanimar.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou, em 2008, que o cientista estava a realizar "atividades e transações que contribuíam para o desenvolvimento do programa nuclear do Irão.

Fakhrizadeh tinha sido descrito pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, como o pai do programa de armas nucleares do Irão.

Contactado hoje pela agência francesa France-Presse, um porta-voz de Netanyahu não quis comentar o caso.

Este ataque ocorreu menos de dois meses antes da chegada à Casa Branca do democrata Joe Biden, presidente eleito nas eleições de 03 de novembro nos Estados Unidos.

Biden pretende mudar de postura em relação ao Irão depois de quatro anos da presidência de Donald Trump, que retirou o país do acordo com as grandes potências mundiais assinado em Viena, em 2015, sobre o programa nuclear de Teerão, tendo reinstaurado e endurecido sanções contra o Irão.

Para Trump, esse acordo não oferece garantias suficientes para impedir que Teerão adquira armas nucleares, enquanto o Irão sempre negou querer esse armamento.

Ainda hoje, Trump 'retweetou' informações sobre o assassínio do cientista iraniano, mas não fez comentários.

Fakhrizadeh foi morto no dia seguinte à transferência, pela Tailândia, de três iranianos detidos por um ataque à bomba fracassado contra diplomatas israelitas em Banguecoque, em 2012.

Segundo Teerão, essa transferência foi feita em troca da libertação, na quarta-feira, da investigadora austrálo-britânica Kylie Moore-Gilbert, condenada a 10 anos de prisão por espionagem em benefício de Israel -- algo que sempre negou -, esta especialista no Médio Oriente foi libertada depois de mais de 800 dias detida.

Vários outros cientistas especializados na área nuclear no Irão foram assassinados nos últimos anos, com Teerão a culpar sistematicamente Israel.

Hossein Salami, comandante-chefe dos Guardas da Revolução, referiu-se ao ataque a Fakhrizadeh.

"Assassinar cientistas nucleares é a confrontação mais violenta para nos impedir de alcançar a ciência moderna", escreveu na rede social Twitter.

Hossein Dehghan, conselheiro do líder supremo do Irão e candidato à Presidência do país nas eleições de 2021, lançou avisos na mesma rede social.

"Nos últimos dias de vida política do seu aliado no jogo, os sionistas procuram intensificar e aumentar a pressão sobre o Irão para travar uma guerra de pleno direito. Vamos descer como um raio nos assassinos deste mártir oprimido e faremos com que se arrependam das suas ações", ameaçou Dehghan, referindo-se ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Fakhrizadeh liderou o chamado programa "Amad", ou "Esperança", do Irão.

Israel e o Ocidente alegaram que essa operação militar tinha como objetivo saber a viabilidade de construção de armas nucleares no Irão, mas Teerão alegou sempre que o seu programa nuclear é pacífico.

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) referiu que o programa "Amad" terminou no início dos anos 2000 e os seus inspetores monitorizam agora as instalações iranianas como parte do acordo nuclear do Irão com os cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU -- Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França -- e a Alemanha.

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