Chefe do Governo de Hong Kong pede a manifestantes para se renderem

Há três dias que centenas de manifetsantes estão barricados numa universidade, em Hong Kong. Mais de 200 pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia no campus universitário.

A chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, apelou a uma solução pacífica e à rendição dos manifestantes que continuam barricados numa universidade. Esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa, a governante pediu aos jovens participantes nos protestos para que ponham fim à violência, entreguem as armas e abandonem as instalações da universidade respeitando as orientações da polícia.

A líder do território autónomo chinês afirmou que o Governo estava apenas a "reagir" no modo como lida com os protestos, mas não excluiu a utilização de mais violência na resposta aos manifestantes.

"Se os manifestantes saírem de uma maneira pacífica, então não haverá nenhuma situação que justifique esse tipo de violência", retorquiu. Contudo, se a situação mudar, a polícia terá de tomar "a ação necessária".

Carrie Lam, que afirmou que as universidades estão transformadas em "fábricas de armas", admitiu que existirá ainda cerca de uma centena de pessoas entrincheiradas no campus universitário da Universidade Politécnica de Hong Kong, mas que durante a noite houve 600 manifestantes a renderem-se às autoridades.

Esta é a última de cinco universidades que os manifestantes ocuparam para usar como base para os protestos na cidade, sendo que este é já o terceiro dia da ocupação, da qual já resultaram mais de 200 feridos.

Trata-se do caso de maior tensão nos confrontos entre polícia e manifestantes, desde o iníco dos protestos, há cinco meses. Os manifestantes bloquearam ainda as estradas e túneis principais da cidade e obrigaram ao encerramento de lojas e centros comerciais, sob o pretexto de colocar o Governo de Hong Kong debaixo de pressão económica.

Novo chefe da polícia aprovado por Pequim

Perante o cenário de violência extremada, a cidade de Hong Kong recebeu um novo chefe da polícia, nomeado por Pequim.

Chris Tang Ping-keung está na polícia há mais de 30 anos e substitui Lo Wai-chung, que se reforma ao final de 35 anos de serviço. O Governo de Hong Kong afirmou que a nomeação de Tang foi feita "por recomendação e nomeação" da chefe do Executivo, Carrie Lam, mas com a aprovação final do Conselho de Estado chinês.

Esta manhã, no discurso da tomada de posse, Chris Tang Ping-keung frisou que é da responsabilidade das autoridades policiais "manter a lei e a ordem" e pediu a compreensão da população "A polícia tem de fazer cumprir a lei", declarou.

O novo chefe da polícia apontou como prioridade refutar as "notícias falsas" que têm manchado a imagem das forças policiais. O novo comissário assegurou ainda que vai proteger e apoiar os agentes aquando da aplicação da lei.

Este discurso alinha-se com as palavras do Presidente chinês, Xi Jinping, que na última semana disse "apoiar fortemente" o governo de Hong Kong e a polícia, ao considerar que a tarefa mais importante, agora, é "acabar com a violência e restaurar a ordem".

A contestação social em Hong Kong foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial chinesa a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, formalmente retirada, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, Carrie Lam, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

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