Chile investigará se os seus soldados abusaram de mulheres e crianças em missão no Haiti

Uma investigação recente publicada no portal académico The Coversation, ecoado pelo The New York Times, denunciou um fenómeno generalizado de violações de mulheres e meninas haitianas.

Uma comissão parlamentar investigará se militares chilenos da missão de paz da ONU no Haiti participaram em alegadas violações em massa de mulheres e crianças entre 2004 e 2017, anunciou esta quarta-feira um deputado da oposição.

"É essencial investigar esses abusos de menores que ocorreram no Haiti, o que corresponde à Câmara dos Deputados é iniciar uma comissão de investigação sobre esses eventos, onde podemos esclarecer se há de facto forças armadas envolvidas", disse o presidente da Comissão da Câmara de Relações Exteriores, o socialista Jaime Naranjo.

Uma investigação recente publicada no portal académico The Coversation, ecoado pelo The New York Times, denunciou um fenómeno generalizado de violações de mulheres e meninas haitianas cometidas por soldados da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) entre 2004 e 2017.

A investigação indica que 20% das violações foram cometidas por soldados chilenos. Segundo o relatório, os militares abusaram de mulheres em troca de dinheiro e comida e deixaram mulheres grávidas e abandonaram pelo menos 265 crianças no Haiti.

Os militares chilenos seriam os terceiros a cometer mais violações, depois dos brasileiros e uruguaios, e Cap-Haitien, onde estavam as tropas do Chile, abriga atualmente 8,7% das crianças que são filhos de soldados da Minustah.

O escândalo das forças armadas chilenas no Haiti foi descoberto durante a maior crise social que o Chile viveu desde o retorno à democracia em 1990, e isso colocou as forças de segurança do Estado sob os holofotes de numerosas organizações internacionais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ou associações como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional (AI).

A missão da ONU na nação mais pobre do Hemisfério Ocidental surgiu como uma tentativa de estabilizar o país por disputas políticas e continuou após o terremoto de magnitude 7 que o Haiti sofreu em 2010. No entanto, em 2015 começaram as primeiras acusações contra os "capacetes azuis" - os militares da missão humanitária - por mulheres haitianas.

O estudo foi realizado pela professora de história da Universidade de Birmingham, Sabina Lee, e pela cientista clínica Susan Bartels, da Universidade de Queen, no Canadá.

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