China classifica críticas da OMS à política de 'zero casos' como "irresponsáveis"

O diretor-geral da OMS considerou que a política da China face à Covid-19 "não é sustentável".

A China classificou esta quarta-feira como "irresponsáveis" as declarações do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Gebreyesus, que afirmou, no dia anterior, que a estratégia de tolerância zero à Covid-19 do país "não é sustentável".

"Esta estratégia garantiu a saúde de 1,4 mil milhões de pessoas e protegeu grupos vulneráveis. Tornou a China num dos países que melhor conseguiram conter a Covid-19", explicou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, em conferência de imprensa.

"Esperamos que as pessoas envolvidas possam ver as políticas antiepidémicas da China de forma objetiva e racional. Eles precisam de conhecer melhor os factos e parar de fazer comentários irresponsáveis", acrescentou.

O porta-voz afirmou ainda que a estratégia chinesa "está a evoluir de acordo com a situação" e que é "diferente" da de outros países, que optaram por coexistir com o vírus e pela imunidade de grupo.

Tedros Adhanom Gebreyesus, que esteve na China em fevereiro passado, durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, foi censurado nas redes sociais chinesas, depois de afirmar que a política de 'zero covid' do país, "não é sustentável, considerando o conhecimento atual que existe sobre o coronavírus".

"Discutimos esta questão com especialistas chineses e indicamos que a abordagem não é sustentável (...) acho que uma mudança seria muito importante", disse o diretor-geral da OMS.

Os vídeos com as declarações do líder da OMS foram eliminados, após terem sido inicialmente difundidos por internautas através das redes sociais chinesas Sina Weibo ou Wechat.

A China continua a praticar uma política de tolerância zero à doença Covid-19, que inclui o isolamento de cidades inteiras e a realização de testes em massa, sempre que um surto é detetado.

O isolamento de Xangai, a "capital" financeira do país, e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, estão a ter um forte impacto em diversas áreas (serviços, indústria, logística).

Também Pequim, Suzhou, Shenzhen, Dongguan, que desempenham um importante papel na cadeia industrial do país, foram afetadas por medidas parciais ou totais de confinamento este ano.

As medidas, cada vez mais extremas, provocaram críticas sem precedentes entre a população.

Na semana passada, o Presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a estratégia do país "vai resistir ao teste do tempo" e pediu que se combata "qualquer tentativa de distorcer, questionar ou desafiar" esta política.

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