China condena EUA por reduzir presença dos orgãos estatais chineses

A agência noticiosa oficial Xinhua, a estação televisiva CGTN, a Rádio Internacional da China e o jornal China Daily terão de reduzir o número de jornalistas chineses nos Estados Unidos de 160 para 100.

A China condenou esta terça-feira a decisão do Governo dos Estados Unidos de impor um limite ao número de jornalistas de meios de comunicação estatais chineses a trabalharem no país, e ameaçou retaliar.

"Com a sua mentalidade da Guerra Fria e viés ideológico, o departamento de Estado dos Estados Unidos usa argumentos infundados para oprimir politicamente a imprensa chinesa que opera" em território norte-americano, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa.

Zhao Lijian expressou "forte oposição e condenação" por parte do Governo chinês e lembrou que a China tem o direito de tomar "medidas adicionais".

A agência noticiosa oficial Xinhuaa, a estação televisiva CGTN, a Rádio Internacional da China e o jornal em língua inglesa China Daily, que estão diretamente sob tutela do departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês, terão de reduzir o número de jornalistas chineses nos Estados Unidos de 160 para 100.

Os quatro órgãos de comunicação têm até dia 13 de março para especificar quais os jornalistas chineses que vão ser dispensados.

O Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, explicou que a decisão de colocar um limite para os funcionários chineses nos EUA "não se deve ao conteúdo produzido por esses meios", mas devido a medidas de equidade.

"O nosso objetivo é a reciprocidade. Tal como temos feito em outras áreas do relacionamento EUA-China, há muito tempo, procuramos estabelecer condições equitativas. Esperamos que esta ação leve Pequim a adotar uma abordagem mais justa e recíproca para a imprensa americana e de outros países, na China", disse o chefe da diplomacia norte-americana.

A decisão de Washington surge duas semanas depois de o Governo chinês ter cancelado as credenciais de imprensa de três correspondentes do jornal norte-americano Wall Street Journal.

As autoridades chinesas justificaram a decisão com um artigo de opinião publicado pelo jornal, que classificaram de "racista e difamatório", mas que não foi assinado por nenhum dos jornalistas afetados pela decisão, mas antes por um académico e conselheiro do antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger.

A relação entre China e EUA deteriorou-se, nos últimos anos, com Washington a definir o país como a sua "principal ameaça" e a apostar numa estratégia de contenção das ambições chinesas, que se estende ao comércio e tecnologia, e ameaça bipolarizar o cenário internacional.

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