Chuva intensa faz pelo menos cinco mortos e centenas de desalojados em Moçambique

ONG Helpo está a distribuir alimentos e bens essenciais que ainda estavam guardados desde o ciclone Kenneth e do ciclone idai.

O Governo moçambicano emitiu um alerta laranja para todas províncias do país, na sequência do mau tempo que já provocou cinco óbitos e destruiu infraestruturas na província de Cabo Delgado na época chuvosa em curso.

"Foi decretado o alerta laranja para todas as províncias do país, o que vai ajudar a que se faça o pré-posicionamento. É importante que o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades se prepare, de modo que, caso ocorra uma situação igual a que se regista em Cabo Delgado, as infraestruturas já estejam lá implantadas para fazer a busca e salvamento", disse a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, citada hoje pela Agência de Informação de Moçambique.

Wassy Meigos, voluntária da Organização Não Governamental (ONG) Helpo nos abrigos criados para distribuir bens essenciais às populações afetadas, conta à TSF que há centenas de famílias desalojadas.

Este domingo a Helpo deu assistência ao centro de acolhimento de Taratara, com distribuição de produtos alimentícios, produtos de higiene pessoal, produtos para tratamento de água e vestuário para crianças.

Alguns destes bens ainda estavam guardados desde o ciclone Kenneth e do ciclone idai, explica Wassy Meigos.

O centro de de Taratara acolhe 147 famílias, incluído 247 são crianças dos 0-12 anos e 5 mulheres grávidas. Estão abrigadas em tendas que não são apropriadas para a chuva, pelo que deixam entrar água. A ONG está por isso também a distribuir lonas para fortalecer a cobertura.

Ainda estão previstos mais três dias de chuva intensa pelo que a maior preocupação da ONG é chegar às populações isoladas e garantir abrigo para os desalojados, explica Wassy Meigos.

Além de destruir parcial e totalmente mais de 500 casas na cidade de Pemba, o mau tempo que se faz sentir em Cabo Delgado provocou o desabamento da ponte sobre o rio Montepuez, isolando sete distritos do norte da província, disse fonte da Administração Nacional de Estradas na região à Lusa.

A ativação do alerta visa dar celeridade à mobilização de recursos para a assistência a possíveis vítimas e à reposição de danos, tendo em conta que época chuvosa no país só termina em abril.

"Devido à sua situação geográfica, temos de estar preparados, exortando as populações para se retirarem das zonas mais baixas ao longo dos rios", declarou a ministra, que falava durante um Conselho Coordenador de Emergência no sábado dirigido pelo primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, para avaliar a situação.

Dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) indicam que pelo menos 2.650 pessoas em Cabo Delgado foram afetadas pelo mau tempo, que provocou o óbito de pelo menos cinco pessoas.

Além de Cabo Delgado, o mau tempo atingiu uma parte de Nampula, mas em regime fraco e moderado, segundo o delegado do INGC naquela província, Alberto Armando, também em declarações à Lusa.

Num comunicado divulgado na quarta-feira pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alertou para a subida das bacias hidrográficas dos rios Monapo, Lúrio, Megaruma, Montepuez, Messalo, Rovuma e Mecuburi.

Em abril deste ano, alguns pontos da província de Cabo Delgado foram atingidos pelo ciclone Kenneth, que causou a morte a 45 pessoas e afetou outras 250 mil.

Um mês antes da passagem do Kenneth, o centro de Moçambique foi devastado pelo ciclone Idai, que provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões pessoas no centro do país, além de destruir várias infraestruturas.

Entre os meses de novembro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral.

No total, 714 pessoas morreram durante o período chuvoso em 2018/2019, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth.

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