Cimeira da NATO não decidiu sobre exigência turca de considerar curdos "terroristas"

Jens Stoltenberg destaca as decisões tomadas na cimeira e responde às acusações de "morte cerebral" feita por Macron.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, garante que ainda não há decisão sobre a exigência da Turquia, que pretende que a aliança atlântica reconheça as milícias curdas do PKK como "organização terrorista".

O tema não foi abordado na cimeira da organização, que decorreu em Londres, mas Stoltenberg garante que tem trabalhado com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan. O secretário-geral da NATO mostra-se, no entanto, preocupado com os mísseis antiaéreos russos S400 que a Turquia adquiriu e com as consequência que a decisão de Ancara pode ter. Certo é que "nunca" serão integrados nos sistemas de Defesa da NATO.

Questionado sobre as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, que entende que a NATO está em "morte cerebral", Stoltenberg desvaloriza.

"Já fui político e sei que os políticos valorizam a retórica sobre a substância. Na NATO é ao contrário: a retórica é excelente, a substância é perfeita", atirou o secretário-geral.

Sobre a manutenção da paz e o combate ao terrorismo, Stoltenberg garante que essas são premissas fundamentais e "que nunca se perderão".

"A NATO não é americana ou europeia, mas de todos os aliados. Muitas vezes estamos de acordo, outras vezes discordamos, mas é certo que defendemos sempre o bem comum", recorda Stoltenberg.

O secretário-geral saúda ainda a produtividade da cimeira e as decisões tomadas, que "permitem olhar para o futuro" da NATO e para a sua união, "apesar das diferenças" entre aliados.

Costa alerta para divergências

A situação no norte da Síria criou uma divergência entre a Turquia e outros países da NATO, admitiu esta quarta-feira o primeiro-ministro, António Costa, enquanto que o homólogo britânico, Boris Johnson, advertiu para a necessidade de evitar mal-entendidos.

"Há uma diferença de pontos de vista sobre a mesma realidade", afirmou Costa aos jornalistas após a cimeira da Aliança Atlântica em Londres, acrescentando que os líderes dos restantes parceiros da NATO registaram o ponto de vista da Turquia.

Porém, acrescentou, há uma dimensão "que tem a ver com os valores, e os valores essenciais desta Aliança que não podem sacrificados".

Em outubro, os Estados Unidos decidiram retirar as suas tropas da Síria estacionadas na zona fronteiriça com a Turquia, uma decisão que permitiu uma ofensiva militar turca em coordenação com forças da oposição sírias contra os curdos aliados pelos países ocidentais na luta contra o grupo terrorista 'jihadista' Estado Islâmico (EI).

Entretanto, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou não aprovar a expansão dos planos militares da organização para os países bálticos caso a NATO não definisse os curdos como terroristas.

Durante a sua a conferência de imprensa, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, admitiu que a situação no norte da Síria é muito complexa após a reunião na terça-feira com Erdogan, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Claramente reconhecemos as enormes pressões que a Turquia enfrenta, os quatro milhões de refugiados que está a acolher, e a ameaça terrorista do PKK deve ser reconhecida. O que estamos a tentar fazer é perceber os planos da Turquia para aquela parte do norte da Síria", adiantou.

Johnson enfatizou a necessidade de evitar mal-entendidos entre aliados na NATO" e que foi decidido que vai continuar a existir um diálogo sobre a situação.

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