"Claro que não vamos reconhecer os resultados." Referendos na Ucrânia são "provocação"

Inna Ohnivets defende que as iniciativas mostram a "continuação", pelo Kremlin, "dos crimes de guerra e da violação das normas internacionais" sobre soberania e independência.

A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, classificou esta sexta-feira como "uma provocação" os "referendos" que a Rússia está a realizar para anexação dos territórios ucranianos ocupados e garantiu que o seu país não vai reconhecer os resultados.

Em declarações aos jornalistas em Braga, à margem de uma iniciativa de solidariedade com a cidade ucraniana de Ivano-Frankivsk, Inna Ohnivets disse ainda esperar que "todo o mundo democrático" também não reconheça os resultados dos referendos.

"Consideramos a realização [dos referendos] como uma provocação e uma violação da legislação ucraniana e claro que não vamos reconhecer os resultados destes referendos. Espero que todo o mundo democrático também não reconheça", afirmou.

Para a embaixadora, a realização dos referendos "mostra a continuação, pelo regime do Kremlin, dos crimes de guerra e da violação das normas internacionais sobre o direito de soberania e de independência do povo ucraniano".

Os referendos sobre a adesão dos territórios ucranianos de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson à Federação russa começam hoje e decorrem até 27 de setembro, indicaram as autoridades pró-russas dessas regiões.

Os parlamentos das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, reconhecidas pelo Kremlin a 21 de fevereiro passado, convocaram um referendo de integração na Rússia entre hoje e 27 de setembro, ao qual se juntaram as regiões de Kherson e Zaporijia, parcialmente sob domínio russo.

O anúncio oficial de realização dessas consultas populares para anexação dos territórios ucranianos sob ocupação russa foi feito num discurso à nação proferido na quarta-feira pelo Presidente russo, Vladimir Putin, juntamente com o da mobilização de 300.000 reservistas russos para combater na Ucrânia e de uma ameaça velada de utilização de armas nucleares contra o Ocidente.

De imediato surgiram críticas dos países ocidentais e organizações internacionais ao discurso de Putin, que classificaram como uma nova tentativa de escalada do conflito por parte do chefe de Estado russo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se pronunciou sobre tais declarações, afirmando-se "profundamente preocupado" com os planos de Moscovo de efetuar referendos sobre a adesão de territórios ucranianos ocupados à Federação russa.

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