CNN e Bloomberg suspendem emissões a partir da Rússia

Parlamento russo aprovou uma lei que prevê sanções, multas e penas de prisão em caso de distribuição do que considera ser "informações falsas sobre o exército".

As estações televisivas norte-americanas CNN e Bloomberg vão suspender as emissões a partir da Rússia, tal como a CBC/Radio-Canada, na sequência da nova lei russa que impõe penas até 15 anos aos media.

"A CNN vai parar de transmitir a emissão na Rússia enquanto continuamos a avaliar a situação e os nossos próximos passos adiante", disse o porta-voz da estação à TVNewser.

A decisão da CNN em suspender a cobertura a partir da Rússia acontece horas depois de a BBC ter anunciado que iria suspender temporariamente as suas operações no país.

Tal como a britânica BBC, a CNN irá continuar a cobrir a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas os seus jornalistas irão fazer isso a partir de fora do país.

Também a Bloomberg vai suspender temporariamente o trabalho dos seus jornalistas dentro da Rússia, depois do Presidente russo, Vladimir Putin, ter assinado uma lei que criminaliza reportagens independentes no país.

O Parlamento russo aprovou esta sexta-feira uma lei que prevê pesadas sanções para a distribuição do que considera ser "informações falsas sobre o exército".

A Duma (câmara baixa) aprovou, por unanimidade, emendas ao código penal com fortes multas e penas de prisão, entre 10 a 15 anos, para a difusão de "informação falsa" sobre as ações das forças armadas.

Penas de prisão até cinco anos estão previstas para "ações públicas" que procurem desprestigiar o emprego das forças armadas russas na "defesa dos interesses da Rússia e seus cidadãos, na preservação da segurança e paz internacional". Os apelos a outros países para estabelecer sanções contra a Rússia passarão a ser punidos com até três anos de prisão.

"Com grande pesar, decidimos suspender temporariamente as nossas notícias na Rússia", afirmou o editor-chefe da Bloomberg, John Micklethwait.

"A mudança no código penal, que parece desenhada a transformar qualquer repórter independente num criminoso puramente por associação, torna impossível continuar qualquer aparência de um jornalismo normal dentro do país", argumentou.

A lei aprovada é o último passo de uma grande repressão dos media na Rússia.

Duas emissoras locais liberais, Ekho Moskvy and TV Rain, saíram do ar na quinta-feira sob pressão de promotores que exigiram que o acesso fosse restrito devido à cobertura da guerra de Putin na Ucrânia.

Ao final do dia, os 'sites' da BBC, Deutsche Welle e Meduza, um grupo de media independente, estavam inacessíveis.

Também a CBC/Radio-Canada anunciou a suspensão temporária dos seus jornalistas na Rússia, na sequência da nova lei.

"Para garantir a segurança dos nossos jornalistas e dos nossos colaboradores em Moscovo, suspendemos temporariamente as nossas atividades jornalísticas na Rússia, altura para esclarecer o alcance da nova lei", explicou o grupo de rádio e de televisão, em comunicado

As redes sociais Facebook e Twitter foram bloqueadas na Rússia.

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