Companhias aéreas devem continuar com liquidez negativa em 2021

Associação Internacional de Transporte Aéreo lembra que os dados anteriores, de novembro de 2020, "indicavam que as companhias aéreas iriam ter liquidez positiva no quarto trimestre de 2021".

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) piorou as suas previsões para 2021, afirmando agora que as companhias aéreas vão ficar com liquidez negativa este ano, quando anteriormente previa uma melhoria no quarto trimestre.

"A Associação Internacional de Transporte Aéreo divulgou novas análises demonstrando que a indústria da aviação deverá permanecer com liquidez negativa durante 2021", pode ler-se num comunicado de imprensa divulgado na quarta-feira.

A IATA lembra que os dados anteriores, de novembro de 2020, "indicavam que as companhias aéreas iriam ter liquidez positiva no quarto trimestre de 2021", sendo que agora esse cenário só deverá ocorrer em 2022.

"Estima-se que as perdas de liquidez em 2021 atingiram agora 75 mil milhões de dólares [cerca de 62 mil milhões de euros] a 95 mil milhões de dólares [78,5 mil milhões de euros], depois dos anteriormente antecipados 48 mil milhões de dólares [39,7 mil milhões de euros]", pode ler-se no comunicado.

A IATA atribui a revisão em baixa a um "fraco começo" em 2021, sendo agora "claro que a primeira metade de 2021 será pior que o anteriormente antecipado".

"Isto acontece porque os governos apertaram as restrições às viagens em resposta às novas variantes da Covid-19. Os adiantamentos de reservas para o verão (julho-agosto) estão atualmente 78% abaixo dos níveis de fevereiro de 2019", refere a organização internacional.

Um cenário otimista antecipado pela IATA "veria as restrições gradualmente levantadas uma vez que estejam vacinadas as populações vulneráveis nas economias desenvolvidas, mas apenas a tempo de facilitar uma procura tépida no pico da temporada de verão no hemisfério norte" do globo.

"Neste caso em 2021 a procura ficaria nos 38% dos níveis de 2019. As companhias aéreas iriam perder 75 mil milhões de dólares [62,1 mil milhões de euros] durante o ano", segundo a IATA.

Já num cenário pessimista veria as companhias aéreas a perder 95 mil milhões de dólares (78,5 mil milhões de euros), com "uma tendência de melhoria de uma perda de 33 mil milhões de dólares [27,3 mil milhões de euros] no primeiro trimestre reduzindo-se para 16 mil milhões de dólares [13,3 mil milhões de euros] no quarto trimestre".

"O fator deste cenário seria que os governos mantivessem restrições de viagens significativas durante o pico da temporada de viagens de verão. Neste caso, a procura de 2021 estaria só a 33% dos níveis de 2019", de acordo com a IATA.

Alexandre de Juniac, diretor-geral e presidente executivo da organização, afirmou, citado no comunicado, que "2021 está a projetar-se para ser um ano muito mais difícil que o anteriormente esperado", acrescentando que "serão necessários mais pacotes de emergência por parte dos governos".

"Uma indústria da aviação funcional pode provavelmente energizar a recuperação económica da Covid-19. Mas isso não irá acontecer se houver falhanços massivos antes da crise acabar. Se os governos não podem abrir as suas fronteiras, vamos precisar que abram as suas carteiras com ajuda financeira para manter as companhias aéreas viáveis", afirmou o responsável.

O diretor-geral da IATA afirmou que serão necessários "meses de preparação" para efetuar planeamento e para reabrir a indústria, a implementação de um passaporte de viagens IATA relacionado com credenciais de saúde, e ainda "padrões globais" de registo de testes e vacinas.

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