Cidades termais de sete países europeus recebem estatuto de Património Mundial

UNESCO destaca que estas "cidades-balneário", construídas em torno de fontes de água mineral, são testemunhos de uma prática que começou no século XVIII e se estendeu até 1930.

Um grupo de grandes balneários e cidades termais europeias foi incluído na prestigiada lista do Património Mundial pelo "excecional testemunho" da prática desde o século XVIII até 1930, anunciou este sábado a Unesco.

Os complexos de Baden bei Wien, na Áustria; Spa (Bélgica); Karlovy Vary, Frantiskovy Lazne e Marianske Lazne (República Checa); Vichy (França); Bad Ems, Baden-Baden e Bad Kissingen (Alemanha); Montecatini Terme (Itália); e Bath (Reino Unido) foram os distinguidos pelo comité que está reunido na China para o encontro anual.

O grupo incluiu "as cidades balneárias mais modernas, dinâmicas e internacionais entre as muitas centenas que contribuíram para o fenómeno balneário europeu", explicam os responsáveis, que acrescentam ainda que "embora cada cidade-balneário seja diferente, todas se desenvolveram em torno de fontes de água mineral, que foram o catalisador de um modelo de organização espacial voltado para funções curativas, terapêuticas, recreativas e sociais".

Na Alemanha foi ainda classificada a zona de Mathildenhöhe (a Colina de Mathilde, em tradução literal), na cidade de Darmstadt, onde no final do século XIX se afirmou uma Colónia de Artistas, como o arquiteto Joseph Maria Olbrich, o designer Peter Behrens e o pintor Paul Bürck, com o patrocínio do duque de Hesse Ernst Ludwig.

Esta comunidade viria a constituir-se um dos principais centros da renovação da época, abrindo caminho ao modernismo, através das artes visuais, da arquitetura e do próprio planeamento urbano, inscrevendo-se em manifestações como "Arts and Crafts", Arte Nova e a corrente da Secessão Vienense, em que se destacou Gustav Klimt.

A classificação abrange 23 elementos como o Centro de Exposições (1908), a Capela Russa a Santa Maria Madalena (1897-99), o Memorial a Gottfried Schwab (1905), a Pérgola e o Jardim do Templo dos Cisnes (1914), a Fonte de Ernst Ludwig e os ateliês de artistas, construídos para a exposição de 1904.

Em Itália, foi também classificada a série de frescos de Pádua, datados do século XIV, criados por artistas como Giotto, Guariento de Arpo, Giusto de Menabuoi, Altichiero de Zevio, Jacopo Avanzi e Jacopo de Verona.

O farol francês de Cordouan, construído no final do século XVI, na foz do rio Gironde, em Royan, foi também classificado património da UNESCO. Conhecido como "Versalhes do Mar", é o mais antigo farol francês em funcionamento. Tem seis pisos, uma altura de quase 70 metros e mantém a traça renascentista original.

A área de Hima, na Arábia Saudita, foi igualmente inscrita na lista de Património Mundial. Hima reúne mais de 34 sítios de arte rupestre e vestígios da antiga rota de caravanas árabes.

O Comité do Património Mundial da UNESCO reúne-se online até 31 de julho, para a sua sessão anual, presidida a partir de Fuzhou, pelo vice-ministro chinês da Educação, Tian Xuejun, e presidente da comissão local da UNESCO.

A análise de candidaturas deve prosseguir até à próxima quinta-feira, dia 28.

Desde o início desta sessão do comité, no passado fim de semana, a zona portuária de Liverpool foi retirada da lista de património mundial, devido à promoção imobiliária, no espaço urbano, Veneza saiu da lista de património em risco, por ter proibido o acesso de navios de cruzeiro ao seu porto, e à Turquia foi exigido um relatório sobre o estado de conservação da antiga basílica de Santa Sofia, em Istambul.

No domingo, o comité analisará a candidatura de "A Paisagem da Luz", do Paseo del Prado e do Buen Retiro, de Madrid, uma das primeiras alamedas arborizadas da capital espanhola, que reúne os museus do Prado, Rainha Sofia e Thyssen-Bornemisza, e edifícios como o Palácio de Cibeles e o Banco de Espanha.

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