Confronto e populismo. Um ano de Boris Johnson como primeiro-ministro britânico

Um primeiro-ministro que procura o confronto. A professora de Ciência Política da Universidade de Richmond, no Reino Unido, Eunice Goes avalia o primeiro ano de Boris Johnson na liderança do Governo britânico.

Boris Johnson é líder dos Conversadores britânicos há um ano, depois de suceder a Theresa May. Para a professora de Ciência Política da Universidade de Richmond, Eunice Goes, o primeiro-ministro britânico conseguiu dois dos objetivos a que se propôs, ao vencer as eleições com a maioria mais larga para os Conservadores desde Margaret Thatcher e concluir o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. No entanto, Boris Johnson não tem tido uma avaliação positiva na luta contra a pandemia.

"O Governo tem sido altamente criticado, inclusive por deputados por do partido Conservador, por ter falhado, seja na data do confinamento, questões em relação aos testes, seja na resposta para recuperação económica", explica Eunice Goes.

E há ainda o dossier da saída da União Europeia. "O Brexit está a ser tratado pelo Governo como algo que já aconteceu, e todas as consequências nefastas do Brexit vão ser escondidas debaixo do impacto do Covid-19. Esta é a estratégia do Governo britânico", considera.

A investigadora de ciência política lembra que o impacto económico da pandemia continua por apurar, mas deverá resultar numa fatura pesada e que exige respostas públicas do Governo Conservador. "Temos um primeiro-ministro que tem pouca paciência e pouca vocação para prestar atenção questões de políticas públicas. Esse vai ser o desafio do próximo ano".

Populismo e confronto

Eunice Goes encontra na liderança de Boris Johnson marcas que o distinguem dos antecessores na porta número 10 de Downing Street. "É um estilo mais populista, um estilo que não está particularmente interessado em encontrar compromisso com outros órgãos políticos, nomeadamente no seu partido".

Um primeiro-ministro que choca com os opositores, que quer mostrar diferenças publicamente. "Um estilo que se distingue pelo confronto. Começou o mandato em guerra com a Câmara dos Comuns e esteve, logo depois, em guerra com o Supremo Tribunal, tudo isto por causa do Brexit".

A conquista da maioria nas eleições acabou por ser também a grande vitória de Boris Johnson. Ainda assim, o primeiro-ministro não conseguiu unanimidade interna por via da aceitação. "Acabou por eliminar os seus opositores no partido Conservador, muitos deles deputados de renome que foram expulsos do partido".

Também a resposta à pandemia tem merecido críticas internas à liderança de Boris Johnson, recorda a professora da Universidade de Richmond, Eunice Goes.

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