Conselho de Segurança da ONU vota resolução que diminui assistência humanitária a sírios

Contra todos os outros membros do Conselho de Segurança da ONU, russos e chineses querem que uma das duas travessias de fronteira atuais seja encerada.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está a hoje a votar uma resolução da Rússia que fecha uma das travessias de fronteira utilizadas para levar assistência humanitária a sírios deslocados, revelaram agências internacionais.

A notícia da Associated Press surge depois de, na sexta-feira, a Federação Russa e a China terem vetado uma resolução germano-belga que pretendia manter a situação relativa à ajuda humanitária transfronteiriça na Síria a partir da Turquia.

Contra todos os outros membros do Conselho de Segurança da ONU, russos e chineses querem que uma das duas travessias de fronteira atuais seja encerada.

O dispositivo transfronteiriço da ONU, que permite encaminhar ajuda para a população síria a partir da Turquia, sem intervenção de Damasco, existia desde 2014, tendo o seu prazo expirado na sexta-feira à noite.

A Rússia não hesitou, durante a semana, em utilizar o seu direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para fechar a travessia de fronteira de Bab al-Salam, uma das duas travessias utilizadas na região.

A Federação Russa fez o seu 16.º veto e a China o 10.º de um texto ligado à situação na Síria, desde o desencadeamento da guerra, em 2011.

Na terça-feira, a Federação Russa e a China tinham colocado um primeiro veto ao texto da Alemanha e Bélgica, que renovava por um ano a autorização da ONU, mantendo no noroeste os atuais dois pontos de passagem na fronteira com a Turquia, em Bab al-Salam, que conduz à região de Alepo, e em Bab al-Hawa, que serve a região de Idlib, onde vivem cerca de quatro milhões de pessoas.

Moscovo, que argumenta que o texto compromete a soberania do seu aliado sírio, já tinha conseguido em janeiro impor a redução do programa, de quatro para dois pontos de entrada, e da autorização, de um ano, que vigorava desde a sua criação em 2014, para seis meses.

Os russos avançam que mais de 85% da ajuda passa atualmente por Bab al-Hawa, pelo que o ponto de entrada em Bab al-Salam pode ser fechado.

Um texto apresentado pela Federação Russa neste sentido, na quarta-feira, foi rejeitado, ao recolher apenas quatro votos favoráveis.

Na quarta-feira, em entrevista à agência France-Presse, a embaixadora dos Estados Unidos da América na ONU, Kelly Craft, afirmara que a manutenção destes dois pontos representava uma "linha vermelha" para o seu país.

Segundo esta diplomata, suprimir o ponto de entrada em Bab al-Salam significaria cortar a ajuda a 1,3 milhões de sírios a norte de Alepo.

O Conselho de Segurança permite a organizações humanitárias que realizem entregas assistenciais a mais de 2,8 milhões de civis em áreas mantidas pela oposição, no noroeste da Síria, a partir da Turquia, sem necessidade de autorização do regime sírio.

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