Construção da central nuclear brasileira de Angra 3 retomada em 2020

Trabalhos de construção da unidade Angra 3 arrancaram em 1984 e pararam em várias ocasiões devido a sucessivos m escândalos de corrupção.

A construção da central nuclear brasileira de Angra 3, parada desde 2015 e mergulhada em escândalos de corrupção, deverá ser retomada em 2020 com uma parceria privada, sendo as principais candidatas empresas francesas, russas e chinesas, foi hoje anunciado.

"O concurso estará concluído até ao final do ano e a parceria privada será escolhida no início de 2020", explicou o presidente da empresa pública brasileira Eletronuclear, responsável pelo programa nuclear civil brasileiro.

"No total, 11 empresas estão interessadas, mas três tiveram uma participação mais ativa e estão em conversações connosco há muito tempo, designadamente a francesa EDF, a chinesa CNMC e a russa Rosatom", declarou Leonam Guimarães, citado pela AFP.

Os trabalhos da unidade Angra 3, que se iniciaram em 1984 e pararam em várias ocasiões, já custaram o equivalente a mais de sete mil milhões de reais (cerca de 1,6 mil milhões de euros).

A Eletronuclear estima que cerca de 63% do projeto já está concluído.

Para terminar as instalações da central, localizada em Angra dos Reis, a 200 quilómetros do Rio de Janeiro, são necessários 15 mil milhões de reais adicionais (3,5 mil milhões de euros).

A cerca de 300 metros da central Angra 3 estão localizadas as duas primeiras centrais nucleares do Brasil, Angra 1, que entrou em funcionamento em 1984, e a Angra 2, um modelo parecido com a futura central, que entrou em funcionamento em 2001.

As duas centrais nucleares em funcionamento produzem 3% da eletricidade brasileira, num país onde mais de três quartos da energia é produzida por centrais hidroelétricas e 40% desta é consumida no Estado do Rio de Janeiro.

A Eletronuclear espera iniciar a produção em Angra 3 no segundo trimestre de 2025 e a comercialização da energia no primeiro semestre de 2026.

As instalações da central Angra 3 foi travada por problemas de financiamento resultantes das dificuldades económicas do Brasil e também por escândalos de corrupção visando, entre outros, o ex-Presidente Michel Temer, predecessor do atual chefe de Estado Jair Bolsonaro.

A expansão da energia nuclear no Brasil não deverá limitar-se à construção desta terceira central em Angra dos Reis.

"Recebemos a visita de um fundo russo-chinês que se mostrou muito interessado na ideia de financiar projetos de centrais nucleares depois da entrada em funcionamento da Angra 3", afirmou o presidente da Eletronuclear.

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