"Corbyn racista." No último dia de campanha, o fantasma bateu à porta do comício

Em Londres, no último comício da campanha, Corbyn viu as acusações de racismo e antissemitismo voltarem para o assombrar. Mas nem todas as palavras de ordem eram contra o líder trabalhista.

Corbyn chega ao final da campanha sem conseguir livrar-se de um dos fantasmas que o tem perseguido: as acusações de antissemitismo. Nas docas de Hoxton, onde centenas de apoiantes fizeram fila para assistirem ao último comício do partido trabalhista, o líder do Labour contou com um protesto de judeus à porta.

Na rua, contavam-se vários cartazes com a mensagem "Racist Corbyn - Unfit to be PM" (Corbyn é racista - não serve para primeiro-ministro) e ouviam-se palavras de ordem que deram origem a discussões acesas.

Os poucos que se juntaram para protestar não deixaram que a falta de elementos tirasse corpo - nem volume - à mensagem que queriam passar. "Há judeus britânicos a considerarem sair do país", diz uma das vozes que se levanta.

Ao ritmo de um cântico de claque, os manifestantes cantavam "Oh, Corbyn é racista". Esta é uma das acusações que mais se ouviram durante a campanha contra o líder trabalhista.

John, de 50 anos, é judeu e nunca se sentiu tão ameaçado. "O povo judeu está assustado, pela primeira vez numa geração, por um antissemita poder chegar ao n.º10 de Downing Street."

As palavras dos avós nunca lhe saíram da cabeça: "Diziam-me para ter uma mala à porta." Confessa que, na altura, se ria deles. Agora reconhece: "Tenho uma mala junto à porta."

Os amigos estão a sair do país, algo que o faz sentir-se ameaçado, mais do que alguma vez se sentiu nos 50 anos de vida que conta. Por isso, vai votar em Boris Johnson... embora tenha as suas "questões com os conservadores".

"Mas todos temos, não é verdade? Temos de ser honestos, mas a minha prioridade é manter Corbyn fora." Reconhecida a motivação, há respostas do outro lado do protesto.

Um voto pela Palestina

A uma só voz ouve-se que "a Palestina vai ser livre". E é precisamente pela Palestina que Jussna defende Corbyn.

"Claro que vou votar no Jeremy Corbyn, porque ele esteve sempre do lado certo da história." Jussna prefere dar o benefício da dúvida ao trabalhista, até porque não viu "nenhuma prova contra ele, seja de racismo ou de qualquer outra coisa".

É assim que, sob o olhar atento da polícia, a discussão acesa dá lugar a cânticos de um lado e do outro, como se estivessem num estádio, em bancadas opostas.

A cada "Corbyn out" ouve-se um "Tories out". E por aí adiante, sem aparentes dores na voz. Esta quinta-feira o Reino ​Unido vai a votos.

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