
França impõe medidas para combater o surto de coronavírus
Christophe Petit Tesson/EPA
Desde o meio-dia, em França instalaram-se regras de isolamento da população: as fronteiras da União Europeia e do espaço Schengen fecharam. Foi imposta a limitação deslocações durante pelo menos 15 dias.
França tenta aplicar todas as medidas para luta contra o novo coronavirus. Esta terça-feira, o país regista 6633 infetados e 148 pessoas morreram. O número de pessoas infetadas duplica a todos os três dias.
Neste momento, há cinco motivos - anunciados pelo Governo francês - que autorizam a população a sair de casa: motivos profissionais, compra de produtos de primeira necessidade, acesso a cuidados médicos, socorro a familiares idosos e pessoas dependentes de outras ou para passear animais domésticos e praticar desportos individuais.
Foram mobilizados 100 mil polícias para fazer cumprir estas diretrizes.
"A palavra de ordem é clara, fiquem em casa", apelou o ministro do Interior, Christophe Castaner, aos franceses. "Sāo medidas de confinamento aplicadas seguindo o modelo dos nossos vizinhos espanhóis e italianos. Todas as pessoas que se deslocarem deverão justificar os seus movimentos. Será obrigatória uma declaração que pode ser descarregada online", explicou o governante.
"As pessoas que dispõem de carteiras profissionais ou certificados do empregador, deverão apresentá-los no momento dos controlos. As carteiras poderão servir de comprovativo e é o caso, por exemplo, das carteiras de jornalistas, uma vez que a informação tem um papel essencial neste combate contra o vírus", acrescentou Christophe Castaner.
O ministro do Interior avisou que sem este documento as pessoas estarão sujeitas a multas por desobediência, aplicadas a partir desta quarta-feira. As multas que podem elevar-se até 135 euros e na capital francesa já foram criados 150 pontos de controlo com mais de 3000 agentes da polícia.
As medidas complementam os anúncios do Presidente francês, esta segunda-feira. Num tom marcial, Emmanuel Macron anunciou o adiamento da segunda volta das eleições autárquicas, prometeu ajudar as empresas ameaçadas pela crise e anunciou que o Estado vai aplicar 300 mil milhões de euros em empréstimos para as empresas.
"Estamos em guerra, numa guerra sanitária. Não lutamos contra um exército, nem contra uma outra nação, mas contra um inimigo que existe, que é invisível, invasivo e em progresso. O que implica a nossa mobilização geral", referiu.
"Salvem vidas. Fiquem em casa", é a ordem do Presidente francês que ainda nāo convenceu toda a gente.
Há filas nos supermercados e avisos no comércio
Tal como tem vindo a acontecer nos últimos dias, em Paris formam-se grandes filas de espera à entrada dos supermercados, das padarias. Nos pequenos comércios há sinalizações à entrada: "Não ultrapassar o número de três clientes dentro do estabelecimento. Respeitar um metro de distância entre cada cliente."
Na capital francesa, as pessoas procuraram desde ontem sair da cidade, criando grandes concentrações de pessoas nas estações de comboios, o que potencia a propagação do vírus e não está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.
O mesmo aconteceu em Itália quando se começou a falar da aplicação de quarentena forçada, as pessoas precipitaram-se para a estação de comboio de Milão. "Um reflexo humano, mas é necessário explicar as pessoas que nāo é uma boa ideia uma vez que aumenta, substancialmente, o risco de propagação", lembrou esta terça-feira a ministra dos Transportes, Elisabeth Borne.
Dois Conselhos de Ministros terão lugar esta terça e quarta-feira para aplicar estas medidas urgentes.