Coronavírus. Turistas fogem de ilha paradisíaca com 300 australianos em quarentena

Governo australiano mandou 300 cidadãos repatriados da China, devido ao coronavírus, para um centro de detenção para refugiados na llha de Christmas, ou Ilha do Natal. Autoridades locais garantem à TSF que os turistas deixaram de aparecer e falam em "medo irracional".

Conhecida pelos caranguejos vermelhos e pela floresta tropical, a Ilha do Natal é um verdadeiro paraíso para os amantes da natureza no meio do oceano Índico, mas o cartão de visita da ilha australiana inclui também um centro de detenção para refugiados e relações pouco famosas com o governo de Camberra.

Foi lá, a cinco mil quilómetros e a 12 horas de avião da capital, que a Austrália decidiu pôr em quarentena quase 300 pessoas retiradas de Wuhan, o epicentro do coronavírus. Além de cumprir 14 dias de isolamento no território mais remoto do país, o grupo encontra-se num sítio bem conhecido dos australianos: um centro de detenção para refugiados, que abriga habitualmente migrantes à espera de asilo ou deportação.

Entrevistado pela TSF, o presidente do Condado da Ilha do Natal garante que o impacto no turismo é devastador: "Um dos dois maiores operadores turísticos da ilha teve todas as reservas canceladas porque os turistas têm medo de contrair o coronavírus se vierem para cá. Não há qualquer resultado positivo nas pessoas que aqui estão e que vieram da China, o medo em relação ao coronavírus é irracional e é isso que nos preocupa", refere Gordon Thomson.

De acordo com as autoridades locais, quase 80% dos australianos aplaudem a decisão do Governo de confinar o grupo de repatriados a milhares de quilómetros de distância. Um número lamentável, diz o presidente do Condado, que acusa o Governo de Camberra de alimentar o medo entre a população e o estigma em relação à Ilha, historicamente associada a detenções e isolamento.

Gordon Thomson nota que "a Ilha do Natal é muito simbólica por ser um lugar usado pelo Governo para prender pessoas, para proteger os australianos de refugiados e agora desta doença. Dá jeito ao Governo mostrar que está a fazer alguma coisa para proteger a população".

O presidente do Condado lembra ainda que muitos estudantes australianos que estiveram recentemente na China foram aconselhados a ficar em casa e questiona por que razão o grupo de repatriados não foi tratado da mesma forma.

Até ao momento, houve três casos suspeitos de coronavírus no centro de detenção para refugiados da Ilha do Natal, mas os resultados deram negativo. Se tudo correr bem, o grupo em quarentena pode voltar a casa na próxima segunda-feira, para alívio dos operadores turísticos.

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