Covid-19 em Itália. Governo pede restrições no Natal devido ao alto número de mortes

Itália ocupa, junto com o Reino Unido, o terceiro lugar mundial em letalidade pelo novo coronavírus.

Apesar da ligeira melhoria na curva de contágio, esta semana a Itália registou um alto número de mortos, uma média de 700 pessoas por dia, os piores desde abril. Para evitar o crescimento da pandemia no país, o governo estabeleceu que as restrições vão durar pelo menos até o Natal.

De acordo com os dados elaborados pela Universidade Johns Hopkins dos Estados Unidos, a Itália ocupa, junto com o Reino Unido, o terceiro lugar mundial em letalidade por coronavírus. A classificação é obtida pelo cálculo da proporção de mortes por Covid-19 e do número de casos positivos diagnosticados.

Em Itália a cada cem pessoas infetadas, quase quatro morrem (3,7%). Neste sábado este relatório foi atualizado e mostra o mesmo índice de mortalidade do Reino Unido (3,7%). A classificação é liderada pelo México, que regista quase dez mortos (9,8%) a cada cem contagiados e do Irão com cinco mortos (5,3%) a cada cem casos positivos.

Entre os vários fatores a serem considerados está a quantidade de idosos na população italiana, entre as mais altas do mundo. Em Itália a idade média dos mortos por Covid é de 82 anos.

Medidas restritivas

O governo italiano estabeleceu três tipos de zonas de confinamento no país, conforme 21 critérios Comité Técnico Científico do Ministério da Saúde. Tais critérios são baseados em número de mortos, cuidados intensivos, quantidades de zaragatoas efetuadas e positividade. A classificação é constantemente monitorada.

As medidas restritivas - entre essas a abertura de estabelecimentos comerciais e circulação de pessoas - são impostas com o Decreto do Presidente do Conselho de Ministros (DCPM) que, devido ao estado de emergência da pandemia, não é votado pelo parlamento.

Ontem o DCPM foi atualizado e estabeleceu que das vinte regiões italianas, sete estão na zona vermelha com restrições mais rígidas por causa de alto risco de contágio (Lombardia, Piemonte, Vale de Aosta, Calábria, Campânia, Toscana e Abruzos).

Oito regiões estão na zona laranja com nível médio de transmissão (Ligúria, Emília-Romanha, Friuli-Veneza Júlia, Marcas, Basilicata, Úmbria, Apúlia, Sicília.

Na zona amarela estão cinco regiões com baixo nível de contaminação do vírus (Vêneto, Trentino-Alto Ádige, Lácio, Molise e Sardenha).

Natal sóbrio em Itália

O primeiro ministro Giuseppe Conte advertiu que em Itália o Natal será contido, sem grandes festas, beijos e abraços. Segundo ele, é preciso bom senso para evitar que em janeiro a propagação do coronavírus cresça no país.

"Uma semana de sociabilidade desenfreada significaria pagar caro em janeiro com alta na curva de contágios, de mortes, stress nos cuidados intensivos. Seria uma loucura. Temos que nos preparar para um Natal mais sóbrio, ainda esperamos que a economia possa crescer, que possamos comprar e trocar presentes. Mas beijos, abraços, comemorações, festões são impensáveis, independentemente da curva epidemiológica " ressaltou Conte.

Divisões políticas

Entretanto, as medidas impostas pelo executivo estão a acentuar as divisões políticas. Os partidos de oposição de extrema-direita como a Liga e Irmãos de Itália estão a atacar o governo.

O presidente da República Sergio Mattarella fez um apelo aos políticos e pediu responsabilidade e coesão.

"Esse vírus tende a nos dividir. Entre faixas etárias mais ou menos expostas aos graves riscos, entre categorias sociais mais ou menos afetadas pelas consequências económicas, entre as próprias instituições, chamadas a fazer as escolhas necessárias, às vezes impopulares, para reduzir o contágio e garantir o atendimento necessário aos necessitados. O pluralismo e a articulação das instituições republicanas são e devem ser multiplicadores de energias positivas, mas isso fracassa se, na emergência, estivermos divididos", disse o presidente Mattarella.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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