Crise humanitária na Etiópia agrava-se

Mais de 3 décadas depois da ultima grande crise voltou a falar-se de mortes causadas pela fome. A guerra no Tigray e a atitude das tropas etíopes e eritreias são as causas desta situação.

Seis meses depois do exército etíope ter iniciado uma ofensiva contra a frente de libertação do povo tigray, os civis continuam a ser vítimas de abusos. É essa a conclusão de um documento aprovado por várias agências humanitárias das Nações Unidas. Centenas de deslocados internos no estado acusam os militares de rapto, tortura e assassinato.

Nesta altura é praticamente impossível conseguir o acesso ao estado no norte do país, mas uma equipa de reportagem da CNN mostrou recentemente os bloqueios que as forças da Eritreia estão a impor a várias localidades.

Apesar das promessas de Adis Abeba de que as tropas do pais vizinho iriam sair e de que os civis podiam ser ajudados, no terreno a situação é bastante diferente.

O medo domina a população que não tem para onde fugir e a ajuda humanitária continua a não chegar a quem mais precisa. O conselho norueguês para os refugiados está no Tigray mas por questões de segurança a TSF não foi autorizada a falar com a equipa.

Um elemento do conselho norueguês que não está no estado etíope conta que os obstáculos são grandes e há muita gente a precisar de ajuda, "a situação no Tigray é muito má, é uma crise muito significativa. Só os números são assustadores. As Nações Unidas acreditam que há 4 milhões e meio de pessoas a precisar de ajuda, isso é quase toda a população do estado. Mais de 2 milhões de civis tiveram de fugir de casa. Não parece que exista uma solução política no futuro mais próximo e por isso estamos a ver uma situação grave mas que potencialmente pode piorar."

Jeremy Taylor admite que há muitas zonas onde é impossível chegar. A maior parte da ajuda ainda só chegou às principais cidades e às zonas próximas das estradas mais movimentadas.

Este consultor regional explicou que as zonas estão inacessíveis porque ainda há combates. Para além disso as organizações humanitárias têm de negociar o acesso localmente com forças armadas em bloqueios de estrada. As dinâmicas vão mudando tendo em conta as forças que estão presentes. Podem ser da Etiópia, da Eritreia e da própria Frente de Libertação do povo Tigray.

Jeremy Taylor queixou-se de que na maior parte das vezes as proibições são aleatórias. "O acesso pode ser temporário, esporádico e muitas vezes arbitrário e estamos sempre perante novas restrições. Num dia podemos conseguir chegar a um sitio e dois dias depois voltamos lá e já não podemos circular na mesma estrada. Isto tudo faz com que a resposta humanitária não esteja a ser dada à escala necessária tendo em conta a dimensão da crise."

Apesar de todas as dificuldades a equipa do conselho norueguês para os refugiados continua no estado do Tigray tentando fazer o melhor possível.

Perante tudo o que se passa no estado, o patriarca da igreja ortodoxa da Etiópia denunciou aquilo que considera ser um genocídio em curso. Monsenhor Abune Matthias diz que só fala agora por causa do medo. As ameaças tanto à população como a outras pessoas são muitas.

Ainda a semana passada a agência dos Estados Unidos para o desenvolvimento lamentou a morte de um colaborador que tudo indica que foi morto por soldados eritreus ou etíopes.

Desde o inicio do conflito em Novembro 7 trabalhadores humanitários foram mortos ao tentarem dar assistência aos cerca de 4 milhões de civis que precisam de ajuda urgente.

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