Crise política no Reino Unido: governo de Boris Johnson enfrenta onda de demissões

Segundo a BBC, nas últimas 24 horas demitiram-se 12 membros do Governo, a maioria deputados que eram conselheiros e assistentes.

O governo de Boris Johnson está a enfrentar uma onda de demissões. Depois das saídas dos ministros das Finanças e da Saúde, também o ministro da Família e das Crianças, Will Quince, a vice-secretária de Estado para os Transportes, Laura Trott, e o secretário de Estado das Escolas, Robin Walker, apresentaram esta quarta-feira as suas demissões na sequência da polémica com o deputado Chris Pincher.

Numa carta dirigida a Boris Johnson, Will Quince afirma que não quer estar no governo britânico, "não tendo outra escolha", após ter utilizado, em diversas entrevistas, "informação falsa" que lhe foi transmitida por Downing Street. Em causa está uma garantia categórica de que o primeiro-ministro não tinha conhecimento de qualquer alegação específica contra o deputado Chris Pincher, envolvido em escândalos sexuais, que o levaram à demissão, na semana passada.

O ministro, agora demissionário, usou, em várias entrevistas, essa garantia categórica que foi dada pelo gabinete de Boris Johnson, defendendo o chefe de governo, mas esta quarta-feira, dois dias depois, verificou que se trata de "informação falsa". Por essa razão, não pode ficar no cargo, sabendo que mentiu aos eleitores, ainda que a responsabilidade não lhe pertença.

Na carta enviada a Johnson, Will Quince revela que foi uma decisão difícil de tomar e afirma-se "triste" por abandonar um trabalho "do qual gosta muito".

Robin Walker, secretário de Estado das Escolas, afirma não ter mais fé na liderança de Johnson, sublinhando que o governo estava a "cometer muitos erros".

Também Laura Trott, vice-secretária de Estado para os Transportes, decidiu renunciar ao cargo depois de ter "perdido" a confiança no governo de Boris Johnson.

Ao todo, nas últimas 24 horas demitiram-se 12 membros do Governo, segundo a estação pública britânica BBC, a maioria deputados que eram conselheiros e assistentes.

No entanto, Boris Johnson parece determinado em lutar pela sobrevivência e anunciou rapidamente uma remodelação, com o ministro da Educação, Nadhim Zahawi, a passar para a pasta das Finanças, e Steve Barclay, chefe de gabinete, para a Saúde.

Além do debate semanal no parlamento, ao fim da manhã de hoje, Boris Johnson vai ser questionado hoje à tarde pelos presidentes das principais comissões parlamentares, incluindo alguns dos críticos mais vocais dentro do Partido Conservador.

A mais recente crise foi causada pela admissão de Johnson de que cometeu um "erro" ao nomear Chris Pincher para o Governo em fevereiro como responsável pela disciplina parlamentar.

Pincher demitiu-se na semana passada após ter sido acusado de ter apalpado dois homens.

Na terça-feira, depois de alegar o contrário, Downing Street reconheceu que o primeiro-ministro tinha sido informado já em 2019 de antigas acusações contra Pincher, mas que teria esquecido o assunto.

Horas depois, no final do dia, os ministros da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, anunciaram a demissão com poucos minutos de intervalo, cansados dos repetidos escândalos que abalam o Governo há meses, seguidos por outros membros menos graduados da equipa governativa.

Num texto publicado esta quarta-feira no jornal Daily Telegraph, o ex-secretário de Estado para o 'Brexit' (processo de saída do Reino Unido da União Europeia) David Frost, que também se demitiu em dezembro, avisou que se Boris Johnson continuar "corre o risco de arrastar o partido e o Governo com ele".

Consideravelmente enfraquecido pelo escândalo das "festas" em Downing Street durante a pandemia de Covid-19 e uma série de escândalos sexuais no Partido Conservador, Boris Johnson sobreviveu a uma moção de censura interna no início de junho.

O contexto económico também é particularmente delicado, com a inflação no nível mais alto em 40 anos, 9,1% em maio, e uma crescente agitação social.

De acordo com uma sondagem do Instituto YouGov, divulgada na noite de terça-feira, 69% dos eleitores britânicos acreditam que Boris Johnson deveria demitir-se.

* Notícia atualizada às 11h00

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