Curdos apelam à ONU e EUA envio de observadores para supervisionar cessar-fogo

Erdogan negou, esta sexta-feira, qualquer incumprimento do cessar-fogo, disse que "não há combates" e referiu-se a "manobras de desinformação".

As autoridades curdas da Síria apelaram esta sexta-feira à comunidade internacional, Estados Unidos e ONU ao envio "imediato" de observadores ao norte sírio com o objetivo de supervisionar o cessar-fogo acordado entre a Turquia e os EUA.

"Exortamos as Nações Unidas, Conselho de Segurança, Liga Árabe e especialmente os Estados Unidos, por se considerar mediador deste acordo, que assumam as suas responsabilidades e enviem imediatamente observadores internacionais com o objetivo de garantir o acordo de cessar-fogo temporário", disse em comunicado o Conselho da Síria Democrática (CSD).

O CSD, braço político das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança liderada por curdos e que agora combatem os turcos na ofensiva desencadeada por Ancara em 09 de outubro, indicou que o fim das hostilidades deve "conduzir à retirada completa do exército turco".

As FDS acusaram esta sexta-feira a Turquia de violar o cessar-fogo negociado na quinta-feira por Ancara e Washington e de prosseguirem os ataques à cidade de Ras al-Ayn, junto à fronteira comum e um dos primeiros objetivos das forças turcas na sua mais recente invasão do país vizinho.

O CSD afirmou que a Turquia e os grupos armados aliados "cometem crimes de guerra", uma denúncia corroborada pela Amnistia Internacional (AI), indica o comunicado.

O movimento acrescentou que a Turquia "não cumpriu" a sua parte do pacto de cessar-fogo e iniciou na noite de quinta-feira bombardeamentos à cidade de Ras al-Ayn, a mais castigada nesta campanha militar.

As FDS asseguraram ainda na quinta-feira que aceitam o pacto, e assinalaram que se limita à zona entre as localidades de Ras al-Ayn e Tel Abyad, na área onde o Presidente turco Recp Tayyip Erdogan pretende estabelecer uma "zona de segurança" para recolocar cerca de dois milhões de refugiados sérios que fugiram do país desde o início da guerra em 2011.

Erdogan negou, esta sexta-feira, qualquer incumprimento do cessar-fogo, disse que "não há combates" e referiu-se a "manobras de desinformação".

Em paralelo, e em declarações no Pentágono, o secretário da Defesa norte-americano Mark Esper disse que as tropas norte-americanas prosseguem a retirada do norte da Síria e garantiu que não vão participar na monitorização do cessar-fogo anunciado na noite de quinta-feira.

"A força de proteção dos nossos soldados permanece a prioridade máxima e, como sempre, as forças dos EUA vão defender-se de qualquer ameaça até completarmos a nossa retirada da área", referiu Esper aos 'media'.

O acordo entre turcos e norte-americanos, anunciado na noite de quinta-feira pelo vice-Presidente dos Estados Unidos Mike Pence durante uma visita a Ancara, prevê a suspensão por 120 horas (cinco dias) da ofensiva desencadeada em 9 de outubro, e o fim da intervenção militar, caso as forças curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG), consideradas como "terroristas" por Ancara, se retirem durante este período das zonas fronteiriças da Turquia com o nordeste da Síria.

Erdogan garantiu a preservação das suas principais exigências, em particular a retirada das YPG e a formação de uma "zona de segurança" de 32 quilómetros de largura em território sírio, e mesmo que o comprimento desta faixa, que o Presidente turco quer prolongar por 480 quilómetros, permaneça por definir.

A operação foi lançada após o Presidente dos EUA Donald Trump ter anunciado em 07 de outubro a retirada das equipas militares norte-americanas estacionadas no nordeste sírio, fornecendo na prática luz verde ao início da operação turca.

Pouco depois alterou a sua posição devido aos protestos à escala internacional devido à função decisiva das YPG na luta contra os 'jihadistas' do grupo extremista Estado Islâmico.

Para tentar travar a ofensiva de Ancara, as YPG apelaram às forças do regime sírio de Bashar al-Assad, que se deslocaram para as zonas que há muitos anos lhes escapavam ao controlo.

Erdogan afirmou esta sexta-feira que a ofensiva no nordeste da Síria será retomada a partir da noite de terça-feira caso as forças curdas não se retirem desse setor como ficou previsto no designado acordo de cessar-fogo.

"Caso as promessas sejam respeitadas até à noite de terça-feira, a questão da zona de segurança estará resolvida. Caso contrário, a operação Fonte de Paz será retomada quando expirar o prazo de 120 horas", declarou Erdogan em conferência de imprensa, numa referência à suspensão da ofensiva durante cinco dias nos termos do acordo concluído com Pence.

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