Prisão e espírito "destruidor". O "Professor" que quer reacender Estado Islâmico

Qardash nasceu em Tal Afar, uma cidade de maioria sunita no Iraque. Com formação militar, chegou a pertencer às Forças Armadas quando Saddam governava o país. A TSF traça o perfil do "Professor" a quem também chamam "destruidor".

Já há um novo líder para o Estado Islâmico, após a morte do líder do Estado Islâmico Al-Baghdadi. Abdullah Qardash, conhecido como o "Professor", poderia ser apelidado de "o destruidor", por ter trabalhado na criação das linhas de organização do grupo jihadista, e, acima de tudo, por eliminar qualquer um que discorde do estilo de liderança do grupo.

Qardash era o principal legislador do grupo terrorista, ao aplicar punições baseadas no Corão. A crueldade e a brutalidade são as principais características do homem que sucede a Al-Baghdadi e que já era, desde agosto, o responsável pelas operações.

Al-Baghdadi e Abdullah Qardash conheceram-se há 16 anos, e chegaram mesmo a ser companheiros de cela, depois de detidos pelos Estados Unidos por suspeitas de ligações à al-Qaeda. Na prisão fermentaram as ideias de uma crença religiosa extremista que serviram de base para que, já em liberdade, se juntassem ao Estado Islâmico.

Qardash nasceu em Tal Afar, uma cidade de maioria sunita no Iraque. Com formação militar, chegou a pertencer às Forças Armadas quando Saddam governava o país.

Para o especialista em terrorismo internacional Felipe Pathé Duarte, não é uma surpresa que Al-Baghdadi tenha nomeado Qardash como seu sucessor, porque este era já o líder "operacional" do grupo. "Tanto quanto se sabe, é alguém que fazia parte do exército de Saddam Hussein, antes de o exército ter sido destruído, no início do século XXI."

Felipe Pathé Duarte descreve, em declarações à TSF, este novo dirigente como "alguém que já é efetivamente um líder de facto". Pelo contrário, o antigo homem do comando "tinha um papel simbólico e figurativo e não necessariamente de coordenação operacional".

Qardash desempenhava essa função "com relativa facilidade", e era considerado internamente como o "quarto líder do Daesh", de acordo com o professor no Instituto de Ciências Policiais e Segurança Interna e docente da Universidade Autónoma de Lisboa.

"Qardash já seria o líder operacional desta estrutura, ou um dos principais líderes desta estrutura", nota o professor. Agora, o que recebe de herança, ao leme do autoproclamado Estado Islâmico, é praticamente a destruição total, exceto de alguns lampejos dispersos de resistência terrorista. "Embora a capacidade operacional do Daesh na Síria e no Iraque esteja reduzida, o Daesh está ainda longe de acabar", assegura, no entanto, Felipe Pathé Duarte.

Para o futuro, "o que poderemos encontrar é este líder operacional a tentar forçar as poucas estruturas ainda existentes do Daesh para mostrarem alguma capacidade operacional e ofensiva", depois de um "um falhanço total" do líder anterior.

A união entre todo o jihadismo ficou pela promessa e hoje é mais o que separa o Daesh e al-Qaeda do que aquilo que os une. Al-Baghdadi, não só não conseguiu unir todos os muçulmanos, como "houve uma deriva, a partir de uma violência completamente indiscriminada com crentes e não-crentes".

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