Da morte da rainha ao caos nos mercados. O arranque atribulado de Truss à frente dos destinos do Reino Unido

Do mini orçamento ao caos nos mercados, a primeira-ministra do Reino Unido já teve de reverter medidas anunciadas.

Faz esta quinta-feira precisamente um mês que Liz Truss sucedeu a Boris Johnson e se tornou primeira-ministra do Reino Unido. Mas o mandato da conservadora começou com o pé esquerdo.

No dia 8 de setembro, dois dias depois de tomar posse, o ministro das finanças anuncia o novo pacote de medidas de apoio às famílias perante o aumento do custo da energia. Mas passados 30 minutos morre a rainha. Nos 10 dias seguintes, as atenções do país centram-se nas cerimónias fúnebres de Isabel II.

Ao mesmo tempo, em Downing Street, ultimam-se os pormenores do novo Plano de Crescimento. Uma espécie de mini orçamento, como ficou conhecido. A 23 de setembro, o ministro das finanças, Kwasi Kwarteng, anuncia no parlamento a maior descida de impostos dos últimos 50 anos.

"Acreditamos que impostos elevados reduzem o incentivo ao trabalho, impedem o investimento e são um entrave ao empreendedorismo. Vamos rever o sistema fiscal para o tornar mais simples, mais dinâmico e mais justo para as famílias", defendeu.

O problema é que para compensar a quebra na receita fiscal, o governo opta pelo recurso ao endividamento. Os mercados não gostam e a reagem. A libra cai a pique e só recupera vários dias depois. Os juros da dívida pública disparam e arrastam os juros dos empréstimos à habitação.

Perante esse cenário, o Banco de Inglaterra vê-se obrigado a intervir. O regulador britânico compra quase 75 mil milhões de euros de dívida pública e salva os fundos de pensões.

O líder da oposição, Keir Starmer, diz que o governo perdeu o "controlo da economia" e que a atitude do Banco de Inglaterra é "muito séria".

O agravar da crise económica ajuda os trabalhistas a aumentar a vantagem nas sondagens. Uma delas colocou mesmo o Labour 33 pontos à frente dos conservadores, algo que não acontecia há 26 anos.

Outubro arranca e com o novo mês vêm as polémicas herdadas de setembro. Sobretudo a do corte de impostos para os mais ricos, prevista no mini orçamento. Dez dias depois do anúncio, e pressionado por todos os lados, incluindo por colegas conservadores, o ministro das finanças faz marcha-atrás. "Nós apenas falamos com as pessoas. Ouvimos as pessoas. Eu percebo isso. Além de falarmos com as pessoas, também vimos como reagiram", justificou.

Mas outubro é também mês do congresso anual dos conservadores. Em pleno tumulto, Liz Truss enfrenta as bases do partido com vontade de virar a página. "Precisamos pôr a Grã-Bretanha a mexer. Não podemos permitir mais que o país continue à deriva ou se atrase mais neste período vital", reconhece a primeira-ministra.

Em suma, num mês à frente dos destinos do Reino Unido, Liz Truss conheceu dois monarcas, apresentou um mini orçamento, assistiu ao caos nos mercados, viu o Banco de Inglaterra salvar a economia, reverteu medidas anunciadas, conheceu a oposição interna e faz figas para que as sondagens não passem disso mesmo.

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