Das ideias que não morrem ao "lado podre" do Brasil. O discurso de Lula à saída da prisão

Durante os primeiros minutos em liberdade, Lula da Silva discursou perante uma multidão e fez questão de agradecer a todos os que o apoiaram durante os mais de 500 dias em que permaneceu preso.

A caminhada de Lula da Silva desde o interior da prisão de Curitiba até ao centro da multidão que o esperava demorou pouco mais de cinco minutos. Muitos eram os que esperavam as primeiras palavras do antigo Presidente Brasileiro.

"Queridos companheiros e queridas companheiras, vocês não têm noção do significado de estar aqui convosco. Eu que a vida inteira estive a conversar com o povo brasileiro, nunca pensei que hoje pudesse estar aqui a conversar com homens e mulheres que durante 580 dias gritaram aqui "bom dia Lula", "boa tarde Lula" e "boa noite Lula", não importando que estivesse a chover, estivessem 40 graus ou zero graus", começou por dizer Lula da Silva.

"Vocês são o que precisava para resistir à safadeza que o lado podre do Estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira. O lado podre da justiça, do ministério público e da justiça federal", continuou. Seguiu-se uma série de cumprimentos e agradecimentos aos advogados e membros do Partido dos Trabalhadores.

Numa breve referência ao atual Presidente do Brasil, Lula da Silva referiu que tem apenas uma pessoa a gerir a sua conta no Twitter, enquanto Bolsonaro tem duas dezenas.

"O Bolsonaro diz que tem mais de 20 pessoas que fazem o Twitter dele. Eu só tenho uma pessoa e tem cara e nome, é a Nicole", revelou Lula da Silva, perante os assobios da multidão.

Pouco depois, beijou a namorada, incentivado pelos milhares de pessoas.

"Consegui ir preso com uma namorada e, ainda assim, ela aceitar casar comigo", afirmou o antigo Presidente.

"Imaginei que quando saísse ia poder encontrar cada companheiro da vigília e dar-lhes um grande abraço e um grande beijo. Não sabem o significado e importância que têm na minha vida. Fiquei mais fortalecido, mais corajoso e quero que vocês saibam que, além de continuar a lutar para melhorar a vida do povo brasileiro, o lado mentiroso da polícia federal vão saber que não prenderam um homem, tentaram matar uma ideia e uma ideia não se mata, não desaparece. Quero lutar para provar que se existe um bando de mafiosos neste país foi o que eles fizeram para parecer que o Lula era bandido", atirou o ex-Presidente.

"Adquiri tudo o que tenho na vida de uma mulher que nasceu analfabeta, ensinou-me a ter dignidade e morreu analfabeta. Saio daqui, aos 74 anos, com um coração que só tem espaço para o amor", garantiu.

"As portas do Brasil estarão abertas para que possa percorrer o país e lutar pelo nosso povo. Depois de ter ido preso o Brasil não melhorou, só piorou. O povo está a trabalhar em bicicletas para entregar pizza, está mais pobre e não tem o mínimo de respeito. Esse ministro da Educação é um grosseiro que está a tentar destruir a nossa universidade. O que tenho por vocês é o maior sentimento de gratidão que um ser humano pode ter por outro, podem ter a certeza", continuou.

"Quero um Governo que não minta tanto pelo Twitter como Bolsonaro mente. Muito obrigado. Não tenho como pagar-vos, apenas dizer que serei eternamente grato. Obrigado pelo grito "Lula livre" que ouvi durante 580 dias", concluiu Lula da Silva, abafado pela multidão que gritava "Lula livre".

Lula da Silva saiu da prisão da Polícia Federal de Curitiba, depois da ordem de libertação assinada pelo juiz Danilo Pereira Júnior. À saída, o ex-Presidente brasileiro foi recebido pelos membros da vigília Lula Livre que, ao longo dos 580 dias de prisão, estiveram acampados no local.

Esta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal brasileiro tinha decidido, por uma votação de seis contra cinco, que segundo a Constituição, ninguém pode ser considerado culpado até que a decisão transite em julgado (fase a partir da qual não podem ser entregues mais recursos) e que a "execução provisória da pena fere o princípio da presunção de inocência".

Assim, o antigo presidente tem direito a recorrer em liberdade e só volta a cumprir a pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias após o trânsito em julgado.

O histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT) foi preso após ter sido condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), num processo sobre a posse de um apartamento, que os procuradores alegam ter-lhe sido dado como suborno em troca de vantagens em contratos com a estatal petrolífera Petrobras pela construtora OAS.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados