De 0,2% a 6,2%? Ninguém conhece a mortalidade do novo coronavírus

COVID-19 tem taxas de mortalidade completamente diferentes de país para país. Razões podem ser várias.

É uma das maiores dúvidas que continua a intrigar os especialistas em epidemias e saúde pública. Qual é, afinal, a taxa de mortalidade do novo coronavírus? A resposta varia imenso de país para país, sendo que os números que se conhecem são pouco claros sobre a mortalidade da doença.

3,6%?

Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contou, até quarta-feira, 11 de março, 118.619 casos e 4.292 mortes, o que dá uma taxa de 3,6%, bem acima dos cerca de 2% que se falou no início do surto.

Contudo, o primeiro problema é que a percentagem anterior dificilmente será definitiva pois cerca de 60 mil doentes já recuperaram, mas muitos milhares ainda não tiveram alta dos médicos.

Depois, se fizermos o mesmo cálculo país por país, naqueles que registaram até agora mais casos, há enormes diferenças.

De 0,2% a 6,2%?

Na China, o país que de longe já teve mais doentes com o novo coronavírus, 80.908, a taxa chega aos 3,9%. Contudo, ali perto, na Coreia do Sul, o quarto país do Mundo com mais casos, 7.755, fica-se pelos 0,8%.

No Irão, outro país muito afetado, 7.981 doentes, a taxa de mortalidade também ronda os 3,6%, semelhante à da China.

Onde a percentagem dispara, ainda mais do que na China, é em Itália: 631 mortos em 10.149 casos, ou seja, 6,2%.

Pelo contrário, noutros países europeus, igualmente acima da fasquia dos mil doentes, as taxas são muito mais baixas: 2,1% em Espanha, 1,8% em França e apenas 0,2% na Alemanha que apesar de 1.296 casos de infeção registou, até agora, dois mortos.

Perante números tão diferentes os especialistas admitem que a mortalidade do novo coronavírus é, de facto, mais de dois meses depois do início do surto, uma dúvida por esclarecer. António Diniz, infeciologista e pneumologista, sublinha que até dentro da Europa há diferenças muito significativas, sendo especialmente preocupantes os números italianos.

"O porquê para isto se passar nós não sabemos pois não temos toda a informação. Poderá ter a ver com as características do vírus, com a população que foi inicialmente infetada e como depois esta se propagou ou com a estrutura do serviço de saúde em Itália... Ou podem ser todas as explicações anteriores juntas... Ao certo, nós não temos uma interpretação definitiva, apenas podendo admitir várias hipóteses", refere o especialista que diz que a única alternativa é esperar para perceber a real mortalidade do vírus e os porquês dos números tão elevados registados em Itália.

O bastonário da Ordem dos Médicos também admite as grandes diferenças entre países e recorda que uma das explicações apontadas já passou por uma eventual mutação na COVID-19.

No entanto, Miguel Guimarães está convencido que a principal razão será a forma como cada país encara a doença, sublinhando o sucesso da estratégia seguida por Macau que na sua opinião devia ser seguida por todos os países,

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