De um telhado de vitrais a jardins suspensos no teto. Como vai ser a nova Notre-Dame?

Entre realidade e exuberância, arquitetos internacionais lançam debate político sobre a reconstrução da catedral. Que futuro para Notre-Dame?

Passado um mês desde o incêndio que destruiu parcialmente Notre-Dame, o futuro da catedral continua a ser debatido no campo político.

O Governo francês quer acelerar a construção, para que o monumento possa ser visitado durante os Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

O Parlamento aprovou o projeto de lei que autoriza o Governo a promulgar leis e a derrogar a atual regulamentação, respondendo ao apelo inicial de construir Notre-Dame em cinco anos. Mas a oposição, apoiada por deputados do partido no poder - A República Em Marcha, de Emmanuel Macron - tentou mudar o projeto da restauração.

Amadeu Magalhães, arquiteto português a trabalhar em Paris, explica que para cumprir este prazo é preciso mudar a legislação. "Este projeto de lei tenta, acima de tudo, libertar constrangimentos da legislação relacionados ao urbanismo e ao património. Algumas leis impedem que os períodos legais para certos tipos de operações sejam mais longos", refere.

"A iniciativa política que está a ser feita vai no sentido de tentar arranjar alternativas para que esses prazos possam ser reduzidos ou inexistentes - porque, se seguíssemos parâmetros normais, seria praticamente impossível de fazer", afirma o arquiteto português.

Desde que o Presidente francês lançou um concurso internacional para escolher o projeto de reconstrução da catedral Notre-Dame de Paris, no último mês, dezenas de projetos foram apresentados. Arquitetos mais ousados inovam nos materiais, outros preferem manter os traços da estrutura original.

Há projetos de jardins suspensos no telhado da catedral de Notre-Dame, a hipótese de construção de uma chama de metal em vez do pináculo, um telhado de vitrais ou ainda de projetores apontados para o céu.

Alguns destes projetos são possíveis, "há arquitetos que acreditam que não há limites para as suas ideias". "Das coisas mais alucinantes às coisas mais reais, acima de tudo está a provocar-se um debate político para perceber o que se vai fazer."

O processo de construção da catedral levanta muitas dúvidas e os especialistas aguardam reticentes a validação do projeto de lei, que poderá contornar as normas de conservação do património. "O prazo estipulado vai condicionar o tipo de condições técnicas e construtivas do projeto selecionado em concurso", descreve Amadeu Magalhães.

Os investigadores continuam à procura das causas do incêndio. O impasse judicial pode vir a atrasar o início da reconstrução da catedral.

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