Debaixo de críticas, Bruxelas quer agilizar candidaturas de vacinas

Bruxelas admite simplificar o processo de candidatura de novas versões para variantes do coronavirus, das vacinas já aprovadas.

A Comissão Europeia pretende agilizar o processo de aprovação de vacinas no espaço europeu, e vai estudar um modelo de acesso facilitado ao processo de candidatura de segundas versões de vacinas actualizadas com as novas variantes.

As empresas já deverão ter realizado os procedimentos burocráticos para submeter a primeira versão. A intenção de tornar o processo mais rápido, surge numa altura em que já vários países europeus expressaram descontentamento com os sucessivos atrasos nas entregas.

O porta-voz da Comissão Europeia para a área da Saúde Pública e segurança Alimentar, Stefan de Keersmaecker diz que muito em breve haverá vacinas para garantir a imunidade de grupo, até ao verão. De Keersmaecker saúda os exemplos de outros países, que estão mais avançados nos planos de vacinação.

O porta-voz acredita que os contratos com a Pfizer, Moderna e AstraZeneca vão permitir, muito em breve disponibilizar milhões de doses na União Europeia.

"Estas três empresas estão agora em vias de produzir 1500 milhões de doses. São muitíssimas doses. E, nós estamos confiantes que até ao verão deste ano, estaremos em condições de alcançar o objetivo europeu de 70 por cento [da população] vacinada", afirmou.

Mas, descontentes com as demoras nas entregas, na fase inicial dos contratos, alguns estados como a Áustria, Dinamarca rejeitam a mediação europeia na compra das segundas versões das vacinas. Os dois governos já estão a trabalhar com Israel, onde a disponibilidade de vacinas não tem sido um problema, para o desenvolvimento e produção de novas versões contra as variantes do Sars-Cov2.

"A Comissão estará, de certeza, interessada em aprender com a Áustria, Dinamarca e Israel, que acrescentam valor à estratégia de vacinação europeia, e à missão da incubadora "HERA", que beneficia todos os Estados-Membros", disse, o porta-voz, considerando que a decisão não fere a estratégia europeia de vacinação

"Os Estados-Membros têm sempre a possibilidade de concluir outros contratos, fora da estratégia de vacinação. A covid é uma pandemia que atinge o mundo inteiro, e não apenas a União Europeia. Por isso, lições que possamos aprender de outras abordagens, de outras partes do mundo são sempre bem vindas e importantes", afirmou

Hoje mesmo a presidente da Comissão Europeia admitiu desburocratizar o processo de candidatura a autorização das novas versões das vacinas já aprovadas, para que mais rapidamente possam estar disponíveis para integrar os planos nacionais.

Há menos de um mês, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen admitiu que há lições a tirar sobre a produção industrial de vacinas, numa altura em que os atrasos nas entregas aos Estados-Membros, têm impacto no planeamento das estratégias de vacinação, como acontece em Portugal.

"Estivemos todos bastante concentrados no desenvolvimento da vacina, Mas, globalmente, subestimámos as dificuldades ligadas à produção de massas", admitiu a presidente da Comissão, considerando que o ritmo da ciência apanhou a indústria de surpresa.

"É necessário, normalmente, cinco a dez anos para produzir uma nova vacina. Fizemo-lo em dez meses. É uma grande conquista científica. Deveríamos estar orgulhosos. Mas, de alguma forma, a ciência ultrapassou a indústria", afirmou, apelando a uma adaptação da produção industrial, para que os planos de vacinação possam ser bem-sucedidos.

"A indústria tem de acompanhar um ritmo inovador da ciência", apelou, lembrando que "a Europa investiu milhares de milhões de euros na capacidade de produção, e instamos os Estados-Membros a planearem a vacinação", por isso, "precisamos de alguma previsibilidade".

Já sobre as avaliações da agência europeia do medicamento sobre novas vacinas, von der Leyen defende que não se esperem "atalhos em matéria de eficácia e segurança", ainda que a disponibilidade das vacinas seja atrasada mais algumas semanas. A medida que está agora em cima da mesa pretende agilizar o processo burocrático de candidatura à avaliação das novas versões da mesma vacina.

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